O espírito jovem, brincalhão e descontraído dificilmente deixa revelar a sua verdadeira idade. António Manuel Ferrão, desde sempre conhecido como Toy, tem 63 anos de idade e 50 anos de uma carreira cheia de grandes sucessos.
Dono de uma vida de emoções fortes e com um coração sem idade, o cantor resolveu pela primeira vez contar a sua história em livro.
Foi a propósito do lançamento da autobiografia "Coração Não Tem Idade" que o Notícias ao Minuto conversou com o músico.
Numa entrevista franca e sem filtros, recordou a sua história, mostrou-se sem medo da crítica e com vontade de acabar com o "endeusamento que se faz dos artistas".
O Toy acaba de lançar o seu primeiro livro, a autobiografia "Coração Não Tem Idade". Começo por perguntar-lhe se, aos 63 anos, não é um bocadinho cedo para fazer uma autobiografia?
Não porque já tenho muita história, principalmente história profissional. Para o ano vou completar 50 anos de carreira, subi ao palco pela primeira vez tinha cinco anos - mas conto a partir do momento em que vou para o teatro. Já há muitas histórias para contar, mas não propriamente da vida pessoal.
Como surgiu a ideia de criar este livro?
Foi muita insistência de várias editoras, até que o Miguel Pereira me conseguiu finalmente convencer e ajudou-me imenso. Eu ia dizendo as histórias, ele escrevia, eu ia lendo, íamos acertando tudo até que a coisa se fez. Foi praticamente um ano a escrever.
Já referiu que este livro não fala a fundo sobre a sua vida pessoal, mas ainda assim exigiu o exercício de voltar ao passado e passar em revista tudo o que viveu até aqui.
Sim, há muitas recordações da minha infância, da minha juventude, da minha ida para a Alemanha, mas também, acima de tudo, do princípio de tudo, até da história dos meus pais. Mas a vida profissional é sempre a tecla mais importante.
Talvez um dia escreva um livro sobre a minha vida pessoal, mas para já não era fácil porque teria de envolver outras pessoas. Não gosto muito de envolver pessoas que podem não estar preparadas para ler sobre si. Na vida profissional é mais fácil.
Capa do livro autobiográfico "Coração Não Tem Idade"© Fotografia de Marisa Martins - Grupo Infinito Particular
Mas, como o Toy disse, as duas coisas misturam-se um bocadinho, até porque a música entra muito cedo na sua vida.
Exatamente, por isso é que há mais história sobre o início da minha vida. A partir de uma determinada altura, há coisas que têm que ver só comigo e com aquilo que passei, por exemplo o primeiro e segundo casamentos. Não poderia nunca envolver pessoas na minha história, porque poderiam não gostar. Tive esse cuidado.
A minha vida é exposta todos os dias, só que no livro há pormenores que as pessoas não conhecem, mas também não os vou contar - há que comprar o livro.
Tive uma banda de jazz, tive um grupo de rock. Tive várias bandas na Alemanha
Podemos então dizer que a música faz parte da sua vida desde sempre?
Sim, o meu pai era músico amador, tocava nos conjuntos de baile, e ele era um homem de família, levava sempre a mulher e os filhos quando ia tocar. Acompanhei desde muito cedo os ensaios do conjunto do meu pai, tive sempre uma ligação muito forte à música.
E quando é que deixou de assistir para passar a ser o Toy a subir ao palco?
Quando vou para o teatro. Embora fosse teatro amador, tínhamos apresentações semanais, não só em Setúbal. Tenho imagens do arquivo da RTP, de quando tinha 12 anos, a cantar em palco. Nessa altura já comecei a ter público, as pessoas já iam para me ouvir cantar. Antigamente, dizia que a minha carreira só começava depois dos 25 anos, quando tinha sido profissional e passado a viver exclusivamente da música, mas os palcos começaram a ser pisados a partir dos 11, 12 anos. Por isso, faço agora 50 anos de carreira.
Um dos capítulos da sua autobiografia conta que a determinada altura o Toy emigrou para a Alemanha. Nessa altura colocou a música de parte?
Não, de forma nenhuma, porque cheguei à Alemanha com 17 anos e das primeiras coisas que fiz foi formar bandas. Tive um conjunto de guitarras portuguesas de fado, onde cantava fado e tocava viola. Tive um conjunto de baile, onde também tocava viola e cantava. Tive uma banda de jazz, onde tocava congas e cantava. Tive um grupo de rock, onde tocava guitarra e cantava, os Spice Dish. Tive várias bandas na Alemanha e a música esteve sempre a 100% na minha vida.
Esse período na Alemanha e o contacto com outros géneros musicais foi crucial para tornar-se o artista que é hoje?
Acho que todas as peças da minha vida formaram o castelo que é hoje. A ida para a Alemanha, o conviver com variadíssimas nacionalidades, bebi um pouco de todas as culturas e isso é um enriquecimento para conseguir ter conhecimento geral e poder usá-lo na minha vida, como é evidente.
O regresso a Portugal dá-se precisamente quando inicia a sua carreira como músico profissional, aos 25 anos.
Sim, saí de Portugal aos 17 anos e voltei aos 25. A partir daí começo realmente a dedicar-me inteira e exclusivamente à música, a escrever para outros cantores e, depois, a gravar. Comecei por cantar, durante seis meses, à noite, em discotecas, cabarets. Em 1990, quando fui ao Festival RTP da Canção, surgem novas oportunidades, novas editoras e também começam a aparecer os concertos ao vivo.
Gostava muito de música, mas já tinha investido muito dinheiro e estava a ponto de quase desistir
Então o grande ponto de viragem na sua carreira foi a participação no Festival da Canção?
Foi extremamente importante, ganhei uma grande visibilidade. Ganhei o prémio de Interpretação, fui votado unanimemente por todos os jornalistas presentes na sala do Casino Estoril. A partir daí, começam a surgir contactos para fazer concertos. É um grande ponto de viragem na minha vida.
E o nome artístico, Toy? Foi escolha certeira ou, se fosse hoje, teria feito diferente?
Não, não poderia fazer outra [escolha]. A minha irmã já me chamava Toy quando tinha 2, 3 anos. Era o Toyzinho lá em casa, já era o Toy. Foi só pegar no diminutivo de António que era usado no Sul e usá-lo nos meus discos. Ainda gravei como António Ferrão, fui à Rádio Renascença e as pessoas telefonavam e chamavam-me: senhor António Ferrão. Não me sentia bem, não era assim que era tratado. Era tratado por Toy por todos os meus colegas e família, adotei o nome artístico Toy para que todos me tratassem como amigo.
O Toy emigrou, regressou a Portugal e assim teve início uma carreira que viria a ser um sucesso. Porém, acredito que como a grande maioria dos artistas tenha passado por momentos menos felizes. Alguma vez pensou desistir do sonho?
Há uma altura da minha vida em que venho da Alemanha e vou cantar para a noite. Nessa época faço uma entrevista na madrugada da Rádio Renascença e estava um bocadinho cético. Começo por dizer que gosto muito de música, mas que já investi muito dinheiro e estou a ponto de quase desistir. E aí o locutor da madrugada da Rádio Renascença disse-me: amanhã vamos almoçar e vou-te apresentar à dona Helena Cardinali, que tem uma editora que é a Discossete. E no dia a seguir, tudo se resolveu. A Helena gostou de me ouvir cantar, contratou-me e fiquei três anos na Discossete. As coisas começaram a acontecer.
Independentemente de ser convidado para entrevistas na RFM, Comercial, MegaHits, na playlist as minhas músicas não constam. Mas quando lá vou, levo guitarra e canto
E hoje é considerado um dos cantores mais adorados da música ligeira e popular portuguesa. Mas, afinal, o que é a música ligeira e popular portuguesa?
A palavra popular vem de povo. Quando se diz música pop, é um diminutivo de popular. É toda a música que as pessoas ouvem e cantam em seguida, ou aprendem rapidamente. É a música que entra no ouvido com alguma facilidade. Poderia dizer, por exemplo... que Xutos e Pontapés é música pop, é um rock mas é popular. Tudo o que vende é popular.
Há ainda algum preconceito ou uma definição errada do que é a música popular portuguesa?
Não sei. Acho que temos uma estrutura de divulgação de música, falo nas revistas, nos jornais, nas rádios, nas televisões, hoje em dia também nas redes sociais. Quem faz essa divisão, às vezes, são as próprias rádios nacionais - que têm artistas que passam e outros que não passam. Não sei se é preconceito, se é negócio. Não estou nada preocupado com isso. Tenho o meu público, tenho as pessoas que gostam de me ouvir cantar. Independentemente de ser convidado para entrevistas na RFM, Rádio Comercial, MegaHits, o que é facto é que na playlist as minhas músicas não constam. Mas quando lá vou, levo a guitarra e canto.
Há aqui qualquer coisa que não consigo entender e também não lhe posso explicar. Teria de perguntar às rádios o porquê. Ainda ninguém me conseguiu explicar.
As suas canções não passam nessas rádios, mesmo que algumas delas estejam nos últimos anos anos entre as mais ouvidas em Portugal...
A música "Coração Não Tem Idade", conhecida como o "Toda a Noite", foi das mais tocadas dos últimos anos e não passou nessas rádios. Essa resposta não lhe posso dar. Se há preconceito, os preconceitos ficam para quem os tem. Já cantei desde fado a heavy metal, não estou nada preocupado. Um cantor que sabe cantar, deve saber cantar de tudo.
Quem sabe cantar, canta tudo. Ultimamente tem havido alguns duetos que o provam. Lembro-me, por exemplo, da Rosinha com a Ana Bacalhau - isso é saudável para a música. Para quem diz que é pelas letras, então: "ela fugiu, ele foi atrás. Ela caiu, ele a satisfaz" ["Aqui ao Luar" de Xutos e Pontapés]. Não estou a ver qual é a diferença entre esta letra, estou a referir uma banda icónica portuguesa, e o "vou beijar, vou dançar, vou hum, hum até me cansar". Não estou a ver honestamente qual é a diferença, mas quem faz essa diferença é que deve explicar.
O que está a acontecer no mundo tem que ver com poder, com negócio e muito pouco que ver com humanidade
Também o Toy já fez vários duetos com artistas com uma musicalidade bastante distinta da sua.
Já gravei com os Caretos, com o Matias Damásio. Há bem pouco tempo gravei com o Mickael Carreira, Anselmo Ralph e o Tony Carreira - e nós fazemos todos coisas diferentes. Já gravei com os Trivium, que é uma banda de heavy metal americana.
Sinceramente, a palavra certa, estou-me completamente a cagar para isso. O que eu gosto mesmo é de fazer música, de cantar. Quem gosta, gosta. Quem não gosta, não gosta. Gostos não se discutem e alguns lamentam-se.
O tema "Verão e Amor (Cerveja No Congelador)" foi um dos seus grandes hits dos últimos tempos. Quando escreveu esta canção esperava que tivesse este enorme sucesso?
Esse tipo de temas surgem em conspiração com momentos da nossa vida. Não vou atrás do pensamento de se isto vai vender ou não vai vender. Estava bem-disposto, foi uma noite bem-disposta, em família, comecei a trautear, passei para o papel e no dia seguinte ouvi o que tinha gravado. Aconteceu assim.
Este single, "Cerveja No Congelador", marca um novo ponto de viragem na sua carreira?
O que provoca uma viragem é o "Coração Não Tem Idade (Toda a Noite)", que lanço em 2016 mas começou a ter sucesso em 2018. Ainda agora me mandam imagens da Tunísia, Marrocos, República Dominicana. Mandam-me vídeos com a minha música a tocar e as pessoas a fazer as coreografias, é uma música mundial. A "Cerveja no Congelador" foi um reforço.
A par do sucesso destes dois temas somam-se os concertos e aparições televisivas. O Toy faz perto de 200 espetáculos por ano, há momentos em que se sente cansado do palco e com vontade de abrandar?
A cada momento que poderia eventualmente sentir-me cansado, basta clicar o pensamento para o passado e pensar: quis tanto esta vida e agora estou cansado? Não posso. Tenho de continuar, porque é o que gosto. A energia volta e as coisas voltam a acontecer.
Quem o conhece sabe que uma das suas imagens de marca prende-se com a forma como expressa a sua consciência política, cívica e ativista, algo que também é referido na sua biografia. Não existiria o Toy artista sem esta vertente?
Não, porque acho que a cultura, fui educado assim, é das armas mais potentes contra os silêncios que, às vezes, nos querem impor. Os políticos vão mudando, os governos também. Não tenho partido e vou atrás das ideias e das pessoas em quem acredito. Tenho, acima de tudo, como limite de todos os pensamentos a democracia, a liberdade, a paz, o amor. Se nós começarmos a apostar no egoísmo, no ódio, na inveja, o mundo não vai a lado nenhum. O que estamos a ver são atos de egoísmo, de poder, de inveja, de soberba. O que está a acontecer no mundo tem que ver com isto, tem que ver com poder, tem que ver com negócio e muito pouco que ver com humanidade.
Considero-me um humanista e tenho essa responsabilidade de ir dizendo: não pensem igual a mim, não pensem diferente de mim, mas pensem. Fazer pensar já é bom. Mesmo que não estejam de acordo com aquilo que digo. Se o mundo estivesse todo de acordo, também era uma merda, não tinha graça nenhuma. É preciso haver ideias, é preciso troca de ideias, o que não é necessário é matar crianças.
Foi a minha única crítica em relação à Eurovisão. Não quis criticar o grupo que ganhou
Foi na sequência desse pensamento que fez questão de manifestar a sua opinião sobre a Eurovisão recentemente?
O que fiz foi perguntar porque é que um país que invade o outro e é boicotado em todos os aspetos e depois outro faz o mesmo e ninguém boicota.
Nesse mesmo discurso mostrou-se ainda contra quem defende que a cultura e a política em nada se misturam.
Foi a minha única crítica em relação à Eurovisão. Não quis criticar o grupo que ganhou [Bandidos do Cante], quero felicitá-los. Continuem, cantam bem e a música é maravilhosa, está tudo certo. Mas há uma entrevista em que eles dizem: não vamos boicotar porque a política e a cultura não se misturam. Foi isso que quis criticar. Não condeno por terem ido. Se fosse eu a mandar boicotaria, mas respeito quem não o faz. Agora, nunca digam é que a cultura e a política não se misturam porque são exatamente a cultura e a política a melhor mistura de toda uma vida.
Vivi ainda no tempo do fascismo e sei muito bem o quanto o teatro de revista do Parque Mayer ou os grandes poemas do Ary dos Santos faziam a diferença.
Além da música, já o vimos fazer um pouco de tudo. Foi ator, apresentador, vamos um dia vê-lo na política?
Nunca na política nacional, provavelmente na política regional. Ou seja, ter alguma função na minha terra, só porque amo a minha terra. Amo Setúbal e gostava de participar um pouco no benefício das coisas na minha cidade. Não uma coisa a curto prazo, seria uma coisa a longuíssimo prazo, uma ideia a pensar. Só para não dizer nunca digas nunca, talvez um dia.
Ainda não ouvi ninguém dizer que o Toy desafina ou que não sabe cantar
Ao contrário de outros cantores portugueses sobre os quais pouco ou nada se sabe além da vertente artística, o Toy faz questão de partilhar as suas ideologias e aquilo que é a sua essência. Não conseguiria ser de outra forma?
Acho que para ser genuíno não basta apenas dizer que se é humilde. Não são apenas palavras, são atitudes e comportamentos. Não quero que gostem de mim por aquilo que pareço. Quero que gostem de mim ou não gostem por aquilo que sou. Não vivo de aparência, sou a mesma pessoa em cima do palco que sou na minha sala de jantar. É ser transparente e é muito bom. Porquê? Porque as pessoas estão ali porque genuinamente gostam de mim, porque me conhecem, porque sentem que me conhecem como se vivesse lá em casa.
Mas nunca teve receio de que essa exposição, de alguma forma, pudesse pôr em causa a sua credibilidade como cantor?
A credibilidade como cantor só seria posta em causa se eu desafinasse. Também há cantores que cantam bem e há pessoas que não gostam de ouvir, é normal. Acredito que exista quem gosta de me ouvir cantar, mas que ouve uma ou duas músicas e não lhe apetece mais. Até admito que digam: não gosto de ouvir o Toy cantar. Agora, ainda não ouvi ninguém dizer que o Toy desafina ou que não sabe cantar.
Pôr em causa a minha carreira como cantor ou como autor-compositor seria muito difícil, porque estariam a pôr em causa milhares e milhares de pessoas que gostam de me ouvir cantar e que gostam das minhas canções. Não só das que canto, mas das que construí para cantores como Beto, Lara Li, José Malhoa, Ana Malhoa, Tony Carreira, Ágata. Colocar a minha credibilidade como cantor em causa por ter uma opinião política ou social? Seria demasiado ignorante estar a misturar as coisas.
Não me importo de aparecer em cuecas, quero lá saber
A genuinidade de que fala e que lhe é característica tornou-o apetecível para vários programas de televisão, onde tivemos oportunidade de o ver mostrar o seu lado mais divertido, mas também mais despojado e de quem não tem medo do ridículo.
Também é bom passar essa imagem de não ter medo do ridículo. Todos nós temos a nossa parte ridícula e andarmos a vida inteira a escondê-la deve ser frustrante para as pessoas que o fazem. Eu não, não me importo de aparecer em cuecas, quero lá saber.
Estas novas gerações vivem muito ligadas às redes sociais, e eu tento mostrar aquilo que é a vida fora das redes sociais. Somos pessoas, é preciso tirar um bocadinho o endeusamento que se faz, às vezes, dos artistas. Um artista é uma pessoa como outra qualquer.
É mostrar-se sem filtro, talvez esta seja a melhor forma de o descrever.
Sou como o tabaco que gosto de fumar, é sempre sem filtro [risos].
Mas nunca teve verdadeiramente medo da crítica?
Não. Sinceramente, estou-me completamente nas tintas para isso. Há muita gente que diz: não faças isso, fica mal. Mas quando dizem não faças, é a mesma coisa que estarem a insistir para fazer. Sou do contra, basta dizer não faças e eu faço.
Que páginas ainda lhe faltam escrever naquele que é o livro da sua vida?
Vamos ver os próximos anos, porque há muita coisa que vai acontecer. Vou durar até os 125 anos, portanto ainda falta muito.
Gostava de escrever um dia sobre os meus netos, de conviver com eles, de passar tempo com eles e de perceber como é que são as crianças hoje em dia.
E na música, o que é que ainda lhe falta conquistar?
Como já fiz mais de 3 mil [canções], falta-me fazer mais 3 mil. Vou tentar chegar às 10 mil canções.
O seu coração não tem idade e nele o que cabe?
A minha família e os meus amigos, sempre.
E a música com um lugar especial?
A música não está no coração, a música está intrínseca na pele. A música está comigo todos os dias.

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