O antigo apresentador de televisão Júlio Isidro recordou Cândido Mota, seu amigo de mais de meio século, como um homem que teve "uma carreira absolutamente brilhante", tanto na rádio como na televisão.
Em entrevista à RTP, Júlio Isidro considerou que hoje se perdeu "um dos maiores nomes da rádio dos últimos 50 anos", de quem teve "o privilégio de ser amigo" durante 58 longos anos, desde quando se conheceram no Rádio Clube Português.
Questionado sobre o legado que Cândido Mota deixa, o apresentador notou que "a qualidade deixa sempre um legado", excepto quando "aqueles que receberem a herança forem surdos".
"Deixa o legado, para já, de uma voz maravilhosa, que foi o que a natureza lhe deu", apontou. Depois, deixa também o legado de ter sido um "apresentador de uma cultura extraordinária", que se notava em tudo o que fazia.
Nos últimos anos, Júlio Isidro e Cândido Mota falavam "duas, três, quatro vezes por dia", numa troca de prosas em que discutiam os mais variados temas.
"Ele escrevia prosas maravilhosas. Escrevia muitíssimo bem. E eu respondia com as minhas e depois dialogávamos um com o outro. Os nossos diálogos eram alicerçados essencialmente no respeito, admiração, nas memórias de passos que demos juntos", contou.
O apresentador notou que eram muito diferentes entre si, com ideologias políticas e religiosas opostas e até mesmo nos hábitos de vida completamente distintos
"Ele achava graça às nossas diferenças", recordou. "E essas diferenças serviram para que nós mantivéssemos uma amizade feita por um princípio que hoje em dia devia ser seguido por muita gente: o respeito pelos nossos colegas profissionais, um maior respeito por aqueles que nos deixaram um legado, e também o respeito pela opinião do outro e pela forma como outro age e pensa ". Neste último, Júlio Isidro salienta que o próprio Cândido Mota foi "exemplar".
Cândido Mora morreu aos 82 anos
Cândido Mota morreu esta de madrugada, aos 82 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado, disse à Lusa fonte familiar. O antigo locutor de rádio, que estava doente há algum tempo, morreu "sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos", acrescentou Teresa Mota, filha do apresentador.
Nascido a 28 de setembro de 1943, em Espinho, Cândido Soares Pinto da Mota tornou-se uma das vozes mais marcantes da história da rádio portuguesa, reconhecido pelo timbre grave e por uma presença tão discreta quanto determinante na história da comunicação em Portugal.
Exemplo disso foi o programa noturno "Passageiro da noite", um dos pioneiros na interação direta, em que Cândido Mota cedia o seu espaço para os ouvintes falarem sobre o que lhes apetecesse.

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