O Rei Juan Carlos considerou hoje a reconciliação de Espanha consigo própria a maior conquista do seu reinado de 40 anos, ao longo dos quais admite ter cometido erros, assumidos nas suas memórias, a premiada obra "Reconciliação".
"Não escolhi o título das minhas memórias, «Reconciliação», ao acaso", afirmou Juan Carlos, considerando ser esta "a palavra que melhor resume a principal conquista" da sua vida pública: "ter iniciado e fomentado a reconciliação da Espanha consigo mesma, após uma longa ditadura e uma guerra civil, conduzindo-a à transição, da forma mais pacífica possível e num curto período de tempo, para uma democracia plena e completa".
O discurso do rei emérito, citado pela agência EFE, foi hoje proferido na Assembleia Nacional Francesa, no âmbito da entrega do Prémio Especial para Livros Políticos, atribuído pela associação 'Lire la société' à obra "Reconciliação".
Nas memórias de 40 anos de reinado, escritas em colaboração com a escritora francesa Laurence Debray, Juan Carlos alude às conquistas e admite, também, ter cometido alguns erros.
"Hoje, de longe, vejo o presente do meu povo, tenho consciência de que ninguém é profeta na sua própria terra e que também existem diferentes opiniões e julgamentos sobre os acontecimentos passados", afirmou o antigo monarca, citado pela agência EFE.
O rei, que havia sido desaconselhado pelo pai a escrever as suas memórias, revelou hoje que as mesmas "aspiram a servir a democracia, o progresso da sociedade espanhola" e que com a obra pretendeu partilhar, por um lado o conhecimento adquirido durante seus 40 anos de reinado e, por outro, a "transformação radical e positiva" pela qual o país passou.
"Desta posição privilegiada, decidi usar todas as ferramentas à minha disposição para devolver a democracia ao seu legítimo dono, o povo espanhol", afirmou o rei, ressalvando que só ele próprio poderia escrever as suas memórias.
"Milhares de páginas já foram escritas sobre o meu reinado, sobre mim, o meu caráter, as minhas experiências, os meus sucessos e os meus erros, e até mesmo sobre o que penso e o que não penso", afirmou, admitindo querer com esta publicação clarificar muito do que sobre si foi dito ao longo da história.
A atribuição do prémio a «Reconciliação» foi decidida por unanimidade por um júri independente presidido pela historiadora Annette Wieviorka, especialista na Segunda Guerra Mundial, e composto por cerca de vinte jornalistas e ensaístas.
A condecoração foi hoje entregue numa cerimónia na Assembleia Nacional francesa, em que Juan Carlos esteve acompanhado das filhas, Elena e Cristina, do seu neto mais velho, Felipe de Marichalar y Borbón, e de alguns amigos.
Entre as autoridades francesas presentes estavam a presidente da Assembleia Nacional, Yaël Braun-Pivet, e os ex-primeiros-ministros Manuel Vals e Elisabeth Borne, entre outros.
Esta foi a segunda vez que Juan Carlos I discursou na Assembleia Nacional Francesa, depois de em 07 de outubro de 1993 ter sido o primeiro monarca a discursar naquela câmara.

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