Já há mais reações à morte do escritor António Lobo Antunes, que partiu esta quinta-feira, 5 de março, aos 83 anos de idade.
Pedro Chagas Freitas partilhou toda a admiração que sentia pelo trabalho do médico referindo que o seu próprio trabalho nunca alcançará a excelência de Lobo Antunes.
"António, parabéns: conseguiste fazer do sofrimento uma obra. Nunca te chegarei aos calcanhares, nem ao dedo mindinho do pé. É uma distância sem medida. Tu entraste na dor como quem atravessa uma casa em chamas, decidiste ficar lá dentro a escrever, o fumo a encher-te os pulmões. Nunca aceitaste viver; escolheste escrever. Abdicaste da vida para escrever sobre ela", começou por referir o também escritor.
"Eu nunca fui capaz. Continuo demasiado cobarde para me afastar do ruído mundano, da vida comum, preso à necessidade vulgar de existir, de ser mais do que as letras que se juntam na minha cabeça. Tu entendeste que existir é pouco, quase nada. Sacrificaste tudo pela página por preencher. A tua obra tem uma densidade que nunca alcançarei", disse ainda Pedro Chagas Freitas.
"Um escritor como tu é uma maldição necessária. Ler-te é saber que não estamos sozinhos no desespero, que o vazio pode ser traduzido. Há uma beleza no interior dessa lama: uma beleza que morde, que arranha. Somos todos animais indomesticados", confessou também.
"Hoje só deixámos de ter o teu corpo vivo. Celebro-te com gratidão", garantiu Pedro Chagas Freitas.
Também a atriz Luísa Ortigoso destacou na sua página de Instagram o legado enorme que o escritor deixou à literatura portuguesa.
"António Lobo Antunes. Escritor. Partiu, deixando um rasto de palavras em histórias que vão continuar a viver dentro de quem as leu, lê e continuará a ler... Vive", referiu a artista.
Ana Garcia Martins, que partilha regulamente o gosto pela leitura com os seguidores das redes sociais, publicou uma storie da notícia da morte de António Lobo Antunes onde colocou um emoji com um coração partido.

© Instagram - A Pipoca mais doce
Também Eduardo Madeira era admirador do trabalho do escritor e fez questão de contar a história de quando o conheceu pessoalmente.
"Morreu o MAIOR. Uma vez encontrei o António Lobo Antunes na Feira do Livro. O meu escritor favorito contemporâneo. Eu tinha-o imitado precisamente no programa «Os Contemporâneos», da RTP. Nunca pensei que ele tivesse visto. Tiramos uma foto juntos e falamos um pouco. E do nada ele diz: você já me imitou, não foi? E eu respondi, meio envergonhado: «sim». E ele disse: não estava nada mau!", contou o humorista.

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