Chama-se “#Superfácil” e é o mais recente programa do chef Miguel Mesquita no 24Kitchen. Estreou-se no início de março e, como o próprio nome indica, junta propostas simples e que todos vão conseguir replicar sem grande esforço.
“Há clássicos reinventados, pratos internacionais, sobremesas instagramáveis, mas sempre com a mesma lógica: qualquer pessoa consegue fazer isto em casa”, revelou o chef.
Depois de ter participado em duas temporadas de “Chef de Serviço”, outro programa de receitas do canal, Miguel Mesquita volta a ser aposta, desta vez num formato próprio.
“Sempre quis ter um espaço onde pudesse mostrar a minha forma de estar na cozinha, sem filtros. Um programa que fosse mesmo a minha cara.”
Na entrevista ao Lifestyle ao Minuto, o chef falou deste novo desafio, do passado em Londres onde desenvolveu um supper club e também do futuro que, para já, não passa pela cozinha de nenhum restaurante. “Nunca digo nunca, mas se acontecer, terá de fazer sentido com a minha identidade.
“#Superfácil” é o novo programa do chef Miguel Mesquita© 24Kitchen
Como surgiu o convite para este programa a título individual?
O convite surgiu de forma muito natural. Já tinha uma ligação com o 24Kitchen tanto do “Guerra dos Pratos” como das duas temporadas do “Chef de Serviço”, e eu, claro, fiquei muito contente com esta aposta.
Era algo que já queria fazer há algum tempo?
Sempre quis ter um espaço onde pudesse mostrar a minha forma de estar na cozinha, sem filtros. Um programa que fosse mesmo a minha cara: simples, acessível e sem complicações, coerente com aquilo que eu sou todos os dias.
O que as pessoas vão ver ao longo dos episódios?
Vão ver receitas cheias de sabor e que funcionam. Passos claros e resultados que surpreendem. Há clássicos reinventados, pratos internacionais, sobremesas instagramáveis, mas sempre com a mesma lógica: qualquer pessoa consegue fazer isto em casa.
É algo diferente do chef Miguel Mesquita que vimos em “Chef de Serviço”?
No #Superfácil sou mais eu, é a minha cozinha. No “Chef de Serviço” havia um conceito muito próprio, mais focado na técnica. Aqui é diferente. É a minha cozinha, o meu ritmo, a minha linguagem. É mais descontraído, mais próximo das pessoas e muito mais alinhado com aquilo que faço nas redes sociais.
Como foi gravar este programa? Há assim alguma peripécia engraçada, algo que não correu assim tão bem e que nos pudesse contar?
Gravar é sempre intenso, mas para mim é ao mesmo tempo um prazer enorme. Existem sempre montes de peripécias que acontecem, e o mais engraçado é esses momentos também se vão poder ver no programa.
Pensei muito no dia a dia real: o que é que eu faria numa segunda-feira à noite?Como foram selecionadas as receitas para o programa?
Quis encontrar um equilíbrio entre pratos que eu adoro fazer e receitas que sei que as pessoas realmente vão cozinhar. Pensei muito no dia a dia real: o que é que eu faria numa segunda-feira à noite? O que é que apetece fazer ao fim de semana? E depois trouxe também alguns pratos que surpreendem, mas continuam a ser acessíveis.
Como foi escolhido o nome? Existiam outros em cima da mesa?
Havia algumas hipóteses, mas #Superfácil fez sentido desde o início. É direto, comunica imediatamente o conceito e está muito ligado à minha linguagem digital. Além de que já era algo que eu estava sempre a dizer durante as gravações do “Chef de Serviço”.
Fazer televisão e este tipo de programas sempre foi algo de que gostou?
Sempre gostei de comunicar. A televisão acabou por ser uma consequência natural. O que eu gosto mesmo é de partilhar, seja num ecrã grande, nos workshops ou numa cozinha ao vivo.
O chef ensina a fazer várias receitas em poucos minutos© 24Kitchen
Como nasceu o sonho e o gosto pela cozinha?
O gosto nasceu muito da curiosidade, e da necessidade de muitas vezes me abstrair dos estudos. Para relaxar nos dias de exames ia para a cozinha e fazia bolos. Pesquisava receitas nas revistas e nos livros de cozinha que a minha mãe tinha lá em casa e depois ia para a cozinha.
A carreira de engenheiro industrial ficou de lado?
Ficou e foi uma decisão muito consciente. A engenharia deu-me estrutura, método, organização e eu uso isso todos os dias na cozinha. Mas não me vejo a voltar atrás. Hoje estou exatamente onde quero estar e estou muito feliz.
Depois de participar em programas de televisão, sentiu a necessidade de aperfeiçoar as técnicas de cozinha?
Sem dúvida. A exposição traz responsabilidade e não queria viver apenas do facto de ter ganho o “Guerra dos Pratos”, queria aprofundar a parte técnica. Foi aí que fui estudar para a Le Cordon Bleu, em Londres. Queria ter bases sólidas para hoje fazer aquilo que faço, transmitir e ensinar com conhecimento de causa.
Como foi trabalhar com chefs com estrelas Michelin?
Foi transformador. Trabalhar neste tipo de restaurantes ensina rigor, detalhe e consistência. Aprendi que excelência não é um momento, é um hábito. Mas, ao mesmo tempo, descobri que a cozinha de que eu gosto está na cozinha da casa das avós, das mães.
Em Londres desenvolveu o M4Food – Supper Club. Como foi esta experiência, que lições tirou daqui? É algo que gostava de voltar a fazer?
O M4Food foi liberdade criativa total. Era um espaço pequeno, uma casa/galeria de antiguidades de um amigo meu, um espaço incrível e íntimo. Permitia-me testar ideias, criar menus sazonais e mostrar a cozinha portuguesa em Londres numa altura em que não se falava muito da nossa gastronomia por lá. É algo que adoraria voltar a fazer, num formato mais maduro.
Os eventos na Academia Time Out são como se fosse uma espécie de programa de cozinha ao vivo, logo com a interação das pessoas?
Sim, têm muito dessa energia, é o meu palco. Na Academia Time Out há interação direta dos participantes, onde todos cozinham à séria, fazem perguntas e depois desfrutam do que cozinharam. E isso é maravilhoso. Reagem no momento ao seu próprio trabalho e percebem que conseguem mesmo fazer. É mesmo muito gratificante, é como se fosse um programa de cozinha ao vivo.
Tem um livro com receitas do mundo. Viajar é algo que considera ser importante para um chef?
Sim, muito. Viajar abre horizontes. Não é só provar comida, é perceber cultura, contexto, tradição. Isso muda a forma como cozinhamos e a forma como vemos a mundo. Depois de cozinhar, viajar é o que mais gosto de fazer.
Qual é o prato de cozinha portuguesa que adora comer? E cozinhar?
Eu adoro um arroz de cabidela, caseiro, feito em casa pela minha tia. É reconfortante, generoso e cheio de sabor. Adoro cozinhar polvo, acho que nós, portugueses, somos mestres na arte de cozinhar polvo. Também gosto muito de reinventar clássicos portugueses, respeitando a base, mas trazendo um toque meu.
E o prato de cozinha internacional que adora fazer? E cozinhar?
Adoro fazer pratos de inspiração do Médio Oriente. É uma região do globo para a qual eu viajo muito e adoro a base e toda a cultura gastronómica.
O que gostava de fazer no futuro? Que projetos gostava de desenvolver?
Continuar a comunicar, desenvolver formatos que cruzem televisão e digital. Talvez um projeto mais autoral, que junte viagens, histórias e comida.
Abrir um restaurante é algo que está nos seus planos? Gostava de ter algo assim?
Nunca digo nunca. Mas se acontecer, terá de fazer sentido com a minha identidade. Teria de ser um espaço alegre, simples, com boa energia e comida honesta.
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