António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março, deixando uma enorme obra literária. A partida do escritor tem motivado diversas reações de grandes nomes ligados ao meio artístico português, homenagens que nas últimas horas têm vindo a crescer.
Maria Rueff partilhou uma fotografia ao lado de António Lobo Antunes e na legenda da imagem citou:
"«Temos a mania que a inteligência é a maior virtude, mas a bondade é a maior»".
A atriz quis ainda agradecer ao escritor pela bondade que teve consigo e que, prometeu, jamais irá esquecer.
"Por toda a bondade que teve comigo que jamais esquecerei, mas também pela inteligência do seu génio literário com que tratou Portugal, a minha/nossa gratidão", terminou.
A fotografia partilhada por Maria Rueff foi captada em 2015 na estreia da peça "António e Maria", escrita a partir da obra de António Lobo Antunes.
"Que dia tão triste", foi desta forma que António Sala deu início a um longo texto de homenagem que dedicou ao amigo de longa data.
"Partiu o meu querido Amigo António Lobo Antunes. Mas, bem mais forte que o negrume da morte que o leva, é a fortíssima luz e a herança de amor que o António nos deixa. A força telúrica das suas palavras, escritas e ditas.
O seu imenso humanismo, por vezes envolto numa falsa capa de quase leve insolência, e de uma eterna rebeldia. Claro que só assim era entendido, por quem não o conhecia pessoalmente e só o lia ou ouvia em entrevistas.
Já tenho saudades - muitas - das nossas conversas querido António. Do nosso abraço carinhoso em cada encontro, sempre seguido dum beijo fraterno. Dos nossos telefonemas, do almoço, onde se fala inevitavelmente de livros, mas também do não gostar de escrever Crónicas, da paixão pelo Benfica, de histórias de Africa, do hospital, das nossas limitações auditivas, disto e daquilo, e sempre, sempre de mulheres. «Indiscutivelmente, e a par das crianças, a coisa mais bela da criação». As palavras são do António e eu vou dizendo que sim com a cabeça, de forma totalmente concordante", começa por ler-se.
"Tenho todos os livros do genial Escritor. Para mim, as maravilhosas dedicatórias do Autor em cada um deles, são sempre muito mais que generosas. Algumas, as que mais me enternecem, dizem de forma simples na sua letra inimitável «Do António para o António, com amor».
Gostava tanto de mim, quanto eu dele. A meu respeito sempre disse palavras bondosas, inflacionadas pela sua imensa ternura e grande generosidade, como estas que tornou públicas e que tanto me comovem. «É raro na vida encontrar verdadeiramente um Homem. E quando dois Homens se encontram, então, têm forçosamente de ser Amigos». E fomos, somos e seremos Homens e Amigos", continuou, enaltecendo a amizade que construiu com o escritor ao longo dos anos.
"Querido António, neste dia cinzento, frio e tão triste, renovo as palavras, que há poucos dias disse em forma de recado à sua filha Joana: «dê um grande beijo ao seu pai». Também hoje aqui o faço, mas utilizando as suas palavras quando me escrevia «do António para o António, com Amor». Até sempre, querido Amigo", terminou.
Importa referir que o governo português aprovou hoje em Conselho de Ministros um dia de luto nacional em homenagem a António Lobo Antunes, que será cumprido no sábado (7 de março).

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