MP Espanhol Vai Ouvir Mulheres Que Denunciaram Julio Iglesias por Assédi0 Se᙭ual e Decide Se Caso Avança



O Ministério Público de Espanha decidiu ouvir as duas mulheres que denunciaram o cantor Julio Iglesias por agressões se᙭uais e tráfico de seres humanos, disseram hoje as advogadas da organização não-governamental Women's Link, que as representam legalmente.


Além de ter decidido avançar com a audição das duas mulheres, o Ministério Público decretou que têm estatuto de testemunhas protegidas, disseram ainda as advogadas da Women's Link, numa conferência de imprensa 'online', através da aplicação Zoom.

A organização não-governamental (ONG) saudou a "forma ágil" como a justiça espanhola está a atuar neste caso e explicou que a audição das duas mulheres se insere ainda numa fase de "investigação pré-processual" e que o Ministério Público da Audiência Nacional espanhola ainda terá de decidir se as queixas apresentadas contra Julio Iglesias avançam.

A dirigente da ONG Giovana Ríos disse que outras mulheres que trabalharam nas casas de Julio Iglesias contactaram nas últimas horas a organização, mas recusou dar mais detalhes, nesta fase, sobre estes casos, nomeadamente se acusam também o cantor de agressões se᙭uais ou outros crimes.

Além da equipa jurídica da Women's Link, participou na conferência de imprensa uma dirigente da estrutura em Espanha da ONG de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional.

A Amnistia Internacional Espanha "decidiu apoiar as denunciantes e pede que se investigue" este caso, disse a organização, num comunicado divulgado hoje.

"A violência exercida por empregadores contra trabalhadoras domésticas remuneradas é uma grave violação de direitos humanos", sublinhou a diretora-adjunta da Amnistia Internacional Espanha, Ana Rebollar, citada no mesmo comunicado, falando na "situação de extrema vulnerabilidade" destas mulheres que "os Estados não podem continuar a ignorar".

Investigações da Amnistia Internacional em diversos locais do mundo "revelam um padrão comum em que as vítimas de violações de direitos humanos são, na sua maioria, mulheres migrantes, racializadas e oriundas do sul global [regiões mais pobres do planeta]" e "as situações de exploração não podem ser consideradas casos isolados, mas condições laborais montadas sobre uma estrutura que retira valor à vida e aos trabalho das mulheres", afirmou a ONG.

Duas antigas empregadas do cantor espanhol Julio Iglesias denunciaram na justiça terem sido vítimas de agressões se᙭uais e tráfico humano por parte do artista.

As queixas foram apresentadas no Ministério Público da Audiência Nacional de Espanha, em 05 de janeiro, disseram hoje as advogadas que representam as duas mulheres. 

As denúncias foram tornadas públicas na terça-feira, depois de o jornal espanhol elDiario.es e a estação de televisão norte-americana Univision Noticias terem publicado os testemunhos das alegadas vítimas, no âmbito de uma investigação jornalística de três anos, segundo os dois meios de comunicação social.

As duas mulheres queixam-se de terem sido vítimas de agressões se᙭uais nas casas que Julio Iglesias tem na República Dominicana e nas Bahamas entre janeiro e outubro de 2021, confirmaram hoje as advogadas.

As denúncias, citadas pelas juristas, fazem referência a alegados factos que poderiam constituir "tráfico de seres humanos com fins de imposição de trabalho forçado e servidão", assim como "vários delitos contra a liberdade e a intimidação se᙭uais tais como assédio se᙭ual e agressão se᙭ual", a par de lesões e vários crimes contra os direitos dos trabalhadores "pela imposição de condições laborais abusivas".

As queixas referem Julio Iglesias como autor principal dos alegados crimes, mas com a colaboração de duas empregadas responsáveis pela gestão das casas do cantor na República Dominicana e nas Bahamas e "chefes diretas" das queixosas.

O facto de Julio Iglesias ter nacionalidade espanhola possibilita que seja alvo de queixa no país, apesar de os alegados crimes terem ocorrido noutros territórios.

Nos testemunhos publicados pelo elDiario.es, as duas mulheres descrevem violações e outras agressões se᙭uais, assim como bofetadas, insultos e várias outras humilhações físicas e verbais, a par de jornadas laborais de 16 horas, controlo das comunicações e mensagens nos telemóveis ou exames médicos forçados.

Julio Iglesias e uma das governantas das casas do cantor não responderam até agora a vários contactos da imprensa sobre estas queixas, enquanto a outra governanta também alvo de denúncia disse ao elDiario.es que não tem "nada a dizer face a estas acusações".

 

MP // SCA

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