A polémica está instalada! O motivo? Uma crónica feita por Henrique Raposo ao Expresso sobre a tendência musical em Portugal que se foca em musicas alentejanas.
O escritor deu a sua opinião sobre estas canções, que pintam a região do Alentejo como "bucólica", romantizando uma ideia da região que, a seu ver, em nada de assemelha à realidade.
"Já não aguento mais o pop alentejano da moda. [...] Pois claro, a «alma alentejana» dá muito jeito, porque assim não temos de falar da realidade pura e dura dos alentejanos reais que continuam mergulhados no isolamento, depressão, pobreza e suicídio", refere o cronista do Expresso.
Henrique Raposo vai mais longe e aponta o abismo que existe entre a região da capital e o Alentejo, que é gritante.
"«Se achas Lisboa grande/ o Alentejo ainda é maior», diz uma destas insuportáveis xaropadas. Maior no quê? Na pobreza e depressão que não aparecem nestas músicas? Sim. Maior no abismo entre a elite (agrobeta) e o povo? Sim. Maior no abismo entre a economia global que passa por ali sem deixar riqueza para os locais, até porque se limita a importar mão de obra quase escrava? Sim", adianta ainda o escritor.
As opiniões divergiram nas redes sociais do jornal, havendo alguns comentários negativos até de figuras públicas.
"É uma música escrita por miúdos alentejanos… não é uma análise política e social. Era o que faltava não poderem escrever o que lhes apetece!!!", referiu a atriz Sofia Grillo.
"Que crónica infeliz e redutora sobre uma cultura tão rica, autêntica e profunda. Sou alentejana, do interior, onde há sim pessoas muito humildes, que vivem de forma honesta, que continuam a trabalhar na terra, onde aprendi os valores mais nobres, onde vivi os momentos mais felizes, onde aprendi o valor da música, do cante, da natureza. O Alentejo é muito maior e mais profundo do que opiniões rasas", disse ainda a criadora de conteúdos Inês Gaya.
Outra cara conhecida e orgulhosamente alentejana que fez questão de se pronunciar foi Ana Arrebentinha.
Nas stories do Instagram, a humorista da Amareleja dirigiu uma carta aberta a Henrique Raposo.
"Carta aberta ao Henrique Raposo, nascido na Portela da Azóia, que fica no concelho de Loures.
Calculo que através de Lisboa e dos livros que escreve, não sabe o que é o Alentejo mas, eu tenho todo o vagar para lhe explicar. O Alentejo, tem rios e mar, tem um céu infinito cheio de constelações, estudado por cientistas do mundo inteiro, tem hectares e hectares de oliveiras e vinhas. Azeites e vinhos premiados mundialmente", começou por explicar.
"Temos artistas de diversas áreas, temos jovens formados em todas as profissões. [...] Temos o cante, que nem todos têm o talento de o cantarem nem a inteligência de o ouvirem [...] cante é a alma de um povo trabalhador, humilde, honesto, com caráter. Um povo sério que não se deixa levar pelas ordens de cidades que pensam que a sua inteligência é superior", explicou também.
[...] O Alentejo é o abraço à casa, a mesa cheia posta a qualquer hora. [...] Somos futuro, um futuro calmo mas, com muita ambição. Se um dia for ao Alentejo pode ir com a cabeça ao léu, pois quando o sol mais almariar não pode por o nosso chapéu!", concluiu, por fim.


Sem comentários:
Enviar um comentário