O escritor suíço Erich von Däniken, famoso mundialmente por suas teorias sobre a influência de extraterrestres na história da humanidade, morreu aos 90 anos. Autodenominado especialista em “assuntos galácticos”, ele acreditava que o contato entre humanos e seres de outros planetas era inevitável — e não via nisso motivo para medo. Em entrevista ao jornal suíço Blick, em 2018, afirmou que, em até dez anos, a humanidade viveria encontros “bonitos” com extraterrestres.
Mesmo em idade avançada, Däniken manteve viva a paixão por tudo o que considerava inexplicável — e também rentável. Formado como cozinheiro, construiu sozinho sua reputação como pesquisador de fenômenos alienígenas. Em setembro de 2023, participou com entusiasmo de um evento em Bad Sulzbach, na Alemanha, para celebrar os 50 anos da A.A.S. (Sociedade para Arqueologia, Astronáutica e SETI), fundação dedicada à investigação da existência de vida extraterrestre.
Entre seus temas preferidos estava a ideia de que grandes obras da Antiguidade não poderiam ter sido construídas apenas por seres humanos. Para ele, a Pirâmide de Quéops, no Egito, não teria sido erguida por engenheiros da Idade da Pedra, mas com a ajuda de visitantes de outros mundos. “Esqueça isso”, costumava dizer, defendendo que as pirâmides já existiam e contaram com auxílio alienígena.
Autor de mais de 40 livros, Däniken construiu um vasto universo narrativo no qual seres de outros planetas teriam visitado a Terra no passado, sendo interpretados como deuses por civilizações antigas. Em seus livros, palestras e em seu canal no YouTube, afirmava que figuras divinas descritas em diferentes culturas seriam, na verdade, astronautas extraterrestres. Chegou a especular sobre a biologia desses seres, defendendo que teriam órgãos sexuais semelhantes aos humanos, por compartilharem ancestrais comuns.
Seu primeiro grande sucesso foi o livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), publicado em português como Eram os Deuses Astronautas? – Mistérios do Passado, no qual reinterpretou mitos, textos bíblicos e achados arqueológicos. A obra tornou-se um best-seller mundial, assim como a continuação De Volta às Estrelas (1969). Para Däniken, a visão descrita pelo profeta Ezequiel na Bíblia seria, na verdade, a aterrissagem de uma nave espacial, e a Arca da Aliança funcionaria como um meio de comunicação entre Moisés e os “deuses astronautas”.
Vivendo em Beatenberg, nos Alpes suíços, ele reunia documentos, objetos e anotações que, segundo acreditava, sustentavam sua visão de mundo. Em sua narrativa, seres altamente evoluídos teriam chegado à Terra em tempos remotos e ajudado a impulsionar a evolução humana, inclusive por meio de inseminação artificial de mulheres, que teriam se tornado as “mães primordiais” da humanidade inteligente.
Apesar das duras críticas da comunidade científica, que classificava suas teorias como pseudociência, Erich von Däniken alcançou enorme sucesso popular. Seus livros foram traduzidos para mais de 30 idiomas e venderam mais de 60 milhões de exemplares, tornando-o um dos autores mais lidos do mundo. Questionado em 2015 pela revista da Süddeutsche Zeitung se se incomodava com os ataques, respondeu: “Antes a gente se irritava com as críticas. Hoje, simplesmente passa por cima”.
Mesmo com suas ideias pouco convencionais, Däniken dizia acreditar em Deus. Em 2021, afirmou em seu canal no YouTube: “Eu acredito em Deus, mesmo não sabendo o que Deus é. Eu o chamo de o grande espírito do universo”.

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