Aqui Há Crime é novo projeto de Júlia Pinheiro, em colaboração com Marta Gonçalves, jornalista do Expresso. Trata-se de um podcast onde irão ser recordados alguns dos times mais violentos que chocaram o país. No primeiro episódio, que foi lançado esta sexta-feira, 16 de janeiro, Júlia Pinheiro e Marta Gonçalves recuaram ao ano de 2011, mas corretamente até ao homicídio de Carlos Castro, cometido por Renato Seabra num quarto de hotel em Nova Iorque.
Quinze anos depois, a jornalista Marta Gonçalves voltou a ler os autos da polícia, tentou chegar à fala com Renato Seabra e a família, foi à procura dos amigos de ambos, os advogados e as testemunhas ouvidas em tribunal.
De acordo com Júlia Pinheiro, várias testemunhas alegaram ter ouvido “constantemente gritos do quarto e no corredor" do hotel onde ambos se encontravam hospedados durante a viagem a Nova Iorque. O cronista e o ex-modelo terão ainda sido vistos a discutir num restaurante. Testemunhas asseguram que Renato Seabra disse a Carlos que não era homossexual, que gostava de mulheres. Luís Pires, jornalista e amigo de Carlos, lembra-se de esse ser um assunto comentado.
"Eu sei que havia uma empregada do hotel com quem o Renato Seabra conversava muitas vezes. É uma empregada de uma boutique do hotel, da recepção do hotel, soube disso na altura. O Carlos era um homem ciumento como toda a gente sabe. Creio que a discussão no quarto nasceu desse envolvimento entre ele e essa jovem. E depois no quarto, o Carlos Castro poderia ter evidentemente feito uma cena de filmes, como era habitual, não é?", explicou.
Foi então que aconteceu a derradeira discussão entre ambos, na noite de 7 de janeiro de 2011. “Mais uma discussão entre os dois começa depois de passarem o dia em silêncio. As palavras acesas e a troca de insultos rapidamente escalam para a agressão”, começou por narrar a jornalista Marta Gonçalves.
“Renato aproxima-se de Carlos por trás e agarra-o pelo pescoço. Mandou-o ao chão enquanto lhe pressionava. Atira-lhe um monitor de computador à cabeça. Usa uma garrafa de vinho e um copo para o agredir. Então, pega no saca-rolhas. Espeta-o primeiro nas virilhas, depois no rosto. O corpo está estendido no chão. O espancamento continua por várias horas”, referiu, de seguida.
“Com o saca-rolhas arranca-lhe os testículos. Carlos já não reage, mas ainda está vivo. Renato continua. Pisa-o e dá-lhe pontapés. Tira-lhe os testículos com as mãos e ergue-os no ar, num ato que mais tarde em tribunal se diria que foi uma espécie de exorcismo aos demónios homossexuais. Arrasta o corpo para junto da janela e deixa-o ali, numa poça de sangue. Toma um banho, veste um fato e sai do quarto. Carlos Castro está morto”, completou
Após o crime, Renato Seabra vagueou pelas ruas da cidade até que apanhou um táxi e se dirigiu ao hospital para receber tratamento face aos ferimentos que tinha na mão. Foi reconhecido pelo taxista e uma enfermeira, após a sua imagem ter sido amplamente divulgada pela polícia.
Segundo o relato de Júlia Pinheiro, Renato Seabra acabou por ser sedado, detido e levado para a ala psiquiátrica do Hospital Bellevue, de onde viria a sair meses depois transferido para uma prisão de alta segurança. O então modelo confessou o crime no dia seguinte.
Recorde-se que actualmente, Renato Seabra encontra-se a cumprir uma pena de 25 anos de prisão nos Estados Unidos. Deverá abandonar a prisão quando tiver 46 anos. Tinha 21 quando cometeu o homicídio.

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