Chocante: Como Brasileiros Estariam Lucrando Com A Fome Na África, Segundo César C. Chiyaya



Alguns brasileiros que se identificam como “missionários” ou “influenciadores” e que decidem fazer o suposto voluntariado “na África” fazem-no com o intuito de ganhar seguidores através de lágrimas e, ao mesmo tempo, lucrar bastante com o sofrimento da nossa gente, isso toda a gente sabe ou devia saber: 

1 – Fazer voluntariado “na África” para criar conteúdo é um projecto de “ENGENHARIA SOCIAL” que, para eles, resulta sempre em milhões de dólares vindos de doadores e ONGs, enquanto criam conteúdos e humilham aqueles que mais precisam.

2 –  À partida, sei o quão desconfortável e difícil é dizer e aceitar que há brasileiros a fazerem milhões de dólares com o sofrimento da nossa gente, vítima das políticas de políticos irresponsáveis e corruptos.

3 – Precisamos de ter a coragem de expor esta “ENGENHARIA SOCIAL”, ou este esquema da SOLIDARIEDADE ALTAMENTE LUCRATIVA - a verdadeira “farsa” de alguns brasileiros que fazem as malas em busca de uma fotografia com um pobrezinho “na África” tem de acabar.

4 – Não é expectável que  todos compreendam isto - pelo menos não agora. 

5 - Mas espero, muito sinceramente, que o despertar da consciência não leve mais 500 anos, outra vez.

6 - Sim, há muita pobreza e fome em África, mas nem por isso a nossa gente deve ser explorada e usada como conteúdo para as redes sociais. Estas pessoas são pobres, sim, mas são também seres humanos, não conteúdos.

7 – África sempre foi vista como uma fonte de exploração - exploração de todos os tipos - e cá estamos, mais uma vez, perante uma poderosa indústria que produz e lucra com a pobreza “na África”.

8 – Uma indústria na qual, infelizmente, grande parte dos activistas e das ONGs africanas também está envolvida e da qual vive - a famosa “ENGENHARIA SOCIAL”. 

9 - Eles vivem do caos enquanto pregam a paz; vivem à custa dos pobres enquanto pregam caridade - eles trabalham com emocional, mas não podem enganar toda gente. 

10 - Dão uma sopinha, tiram uma foto a chorar e a fome continua, mas pelo menos têm as fotos para justificar os fundos ou os milhões de dólares que recebem - basta uma foto com um pobrezinho “na África”…

11 – É verdade que compreender este esquema da SOLIDARIEDADE ALTAMENTE LUCRATIVA, leva tempo. Mas uma coisa é certa: sair do Brasil ou de qualquer outro país e conseguir uma fotografia a chorar com um pobrezinho “na África”, acreditem, vale milhões - basta uma foto com um pobrezinho que os seguidores e os milhões de dólares se multiplicam.

8 – Enfim, custe o que custar, doa a quem doer, mas precisamos de gritar bem alto: a nossa pobreza não justifica qualquer tipo de exploração, estas pessoas das aldeias que vivem dos seus rios, da agricultura familiar, apesar de serem pobres, ainda assim, continuam sendo pessoas e não conteúdos...

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“E, até lá, estou-me nas tintas.”