Através de uma carta aberta publicada nas redes sociais, um grupo de activistas LGBTQIA+ tomou conhecimento de um caso que envolve um candidato de nome Sheide Nadeam António, participante num processo de recrutamento para uma vaga de trabalho no Standard Bank Moçambique.
No dia 12 de Novembro de 2025, os activistas informaram através de um comunicado que foi oficialmente submetido um pedido formal de esclarecimento ao Standard Bank Moçambique, S.A., relativo ao processo de selecção para a vaga de Agente de Call Center.
O comunicado informa que, o candidato Sheide Nadeam António participou em todas as fases do processo — desde a entrevista, passando pela formação e avaliação técnica — onde obteve resultados de 95%, 100% e 95%, portanto, a melhor média entre todos os candidatos. Inclusive, chegou a receber uma escala de trabalho para a primeira semana de Outubro, que incluía o seu nome. Ou seja, a sua candidatura tinha sido aprovada para iniciar o trabalho como quadro do Standard Bank.
No entanto, mesmo assim, foi surpreendido com a sua exclusão da fase final de contratação, sem qualquer explicação formal, justificação escrita ou relatório avaliativo. Esta situação levanta sérias dúvidas sobre a transparência, a meritocracia e a igualdade de oportunidades no referido processo, inidica a nota dos activistas.
O pedido de esclarecimento submetido solicita que o Standard Bank:
1. Apresente por escrito os critérios e parâmetros de avaliação usados no processo;
2. Explique as razões formais e fundamentadas que levaram à exclusão do candidato em alusão, tendo em conta o desempenho demonstrado;
3. Confirme que não existiu qualquer tipo de discriminação, directa ou indirecta, que tenha influenciado a decisão;
4. E proceda à revisão da decisão, com base nos princípios da legalidade, igualdade e mérito.
Os actiovistas sustentam na nota que temos estado a fazer referência que, o pedido de esclarecimento baseia-se na Lei do Trabalho n.º 13/2023, de 25 de Agosto, na Constituição da República de Moçambique e, principalmente, no Código de Ética e Conduta do Standard Bank (2022), que reforçam o direito ao trabalho, a igualdade de oportunidades e a não discriminação.
O Código de Ética e Conduta do banco — um documento público e vinculativo — estabelece princípios claros que devem ser respeitados por todos os seus colaboradores e gestores. Entre eles:
• O compromisso de promover a diversidade e a inclusão, declarando que o grupo “não tolera discriminação injusta, intimidação ou assédio”;
• A obrigação de assegurar acesso equitativo a oportunidades, reconhecendo que “pessoas diferentes trazem perspectivas diferentes que alimentam a inovação e o crescimento”;
• O dever de tratar todas as pessoas com dignidade e respeito, garantindo que violações do Código podem ser denunciadas sem medo de retaliação;
• O compromisso de respeitar os direitos humanos e a diversidade nas comunidades onde o banco actua;
• E a regra expressa na secção 3.1 (“Âmbito de Aplicação”), que afirma que a adesão a esses princípios é obrigatória, sendo a sua violação uma infração ética e disciplinar grave.
A falta de critérios claros e de comunicação formal neste caso coloca em causa os próprios valores que o Standard Bank diz defender. Mais do que um episódio individual, trata-se de uma questão de responsabilidade institucional e de coerência entre o discurso e a prática.
O Standard Bank, como uma das maiores instituições financeiras do país, tem a responsabilidade de dar o exemplo, promovendo práticas que reforcem a confiança pública e o respeito pela diversidade.
Os activistas encerram a nota de pedido de esclarecimento apontando que, “esperamos que o banco trate este pedido com celeridade, seriedade e imparcialidade, e que adopte as medidas necessárias para garantir transparência e reparação, caso se confirmem irregularidades.”

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