Três jovens civis, identificadas como Berta da Silva, Feliciana Domingos Bumba e Márcia Tamires, também identificada no documento como Noémia, foram detidas após a divulgação de um vídeo nas redes sociais em que aparecem a insultar os salários dos efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA).
Nas imagens, as jovens aparecem a dirigir-se aos militares que circulavam em viaturas e tractores, proferindo expressões como “Ah, ah, só ganham 100 mil, só ganham 100 mil”, numa referência aos salários dos efectivos das FAA. O vídeo gerou debate nas redes sociais.
De acordo com um mandado emitido no dia 20 de Outubro de 2026 pela Procuradoria Militar da Região do Médio Cuanza, a detenção das três jovens foi determinada num documento assinado pelo tenente-coronel Domingos J. Francisco Canda, procurador militar. O documento apresenta como fundamento uma suspeita criminal descrita como «Ilustrações de Objectivo ou Evento de Natureza Penal», ao abrigo do artigo 324.º do Código Penal angolano.
Entretanto, o mandado não descreve detalhadamente os actos concretos imputados às jovens, pelo que permanecem questões sobre os fundamentos jurídicos da detenção e a sua relação directa com as declarações feitas no vídeo.
O caso também levanta questões sobre a intervenção da justiça militar num processo que envolve cidadãs civis. A polémica ganhou novos contornos após relatos de uma visita do Chefe do Estado-Maior-General das FAA às jovens, alegadamente num contexto de ameaças. Segundo as informações divulgadas, o responsável militar terá afirmado que agiu por mandato do Presidente da República, uma versão que carece de confirmação independente.
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