Produzir até mil litros de água potável por dia, mesmo em regiões desérticas, utilizando a humidade do ar e a energia do Sol. Essa é a proposta de uma tecnologia desenvolvida pela empresa Atoco, fundada pelo cientista Omar Yaghi, vencedor do Prêmio Nobel de Química.
O equipamento tem aproximadamente o tamanho de um contêiner de transporte e foi projectado para captar moléculas de água presentes na atmosfera, mesmo em ambientes extremamente secos, onde a disponibilidade de água costuma ser um grande desafio.
O segredo está no uso de materiais especiais capazes de capturar a humidade do ar. Depois, o calor fornecido pela luz solar ajuda a liberar a água armazenada, permitindo sua colecta e tratamento para consumo.
Segundo a empresa, o objectivo é que uma única unidade consiga produzir cerca de mil litros diariamente. Considerando um consumo de dois litros de água potável por pessoa, essa quantidade seria suficiente para atender às necessidades de hidratação de aproximadamente 500 pessoas por dia.
Uma das principais vantagens propostas é a possibilidade de operar sem depender da rede eléctrica convencional, aproveitando a energia solar para realizar o processo de extracção.
A tecnologia poderá ser especialmente útil em comunidades isoladas, regiões afectadas por secas e locais onde o transporte de água potável é difícil ou caro.
Entretanto, a produção de mil litros por dia representa uma meta anunciada para o equipamento, e não uma capacidade comprovada de maneira independente em todas as condições climáticas. O desempenho real depende de factores como humidade, temperatura e disponibilidade de energia solar.
Se alcançar os resultados esperados em operação contínua, a inovação poderá oferecer uma alternativa importante para ampliar o acesso à água em regiões que enfrentam escassez.
A proposta é transformar um recurso que existe até mesmo no ar dos desertos em uma fonte de água potável, utilizando a ciência para enfrentar um dos maiores desafios de milhões de pessoas ao redor do mundo.
