Diana Melancia e Lyx representam dois modelos opostos no mercado de conteúdos para adultos em Portugal. Veja as razões do sucesso.
Aindústria do entretenimento para adultos em Portugal atravessa um período de transformação acelerada, impulsionado pelo crescimento das plataformas digitais de subscrição e por criadoras que redefiniram as dinâmicas de rentabilização do setor. No centro deste fenómeno destacam-se duas trajetórias com abordagens opostas: a manutenção do anonimato rigoroso e a exposição pública com controlo criativo.
A dicotomia é representada por Diana Melancia, que preserva o mistério em redor da sua identidade há mais de uma década, e por Lyx (Mailys Raposo), que deixou o percurso académico e corporativo para assumir a atividade a tempo inteiro.
O valor do anonimato no ecossistema digital
Com mais de 11 anos de actividade no mercado de conteúdos, Diana Melancia construiu uma marca assente no secretismo. Mantendo a vida pessoal e profissional paralela ao ecossistema digital, a criadora utiliza a produção de conteúdos como fonte de rendimento complementar, recorrendo a uma máscara para ocultar o rosto nas aparições públicas e nos vídeos.
A estratégia de preservar a identidade funcionou como um elemento de diferenciação comercial, gerando curiosidade contínua e demonstrando a viabilidade financeira do anonimato num setor dominado pela exposição total.
A transição profissional e a recusa de 50 mil euros
No modelo oposto posiciona-se Mailys Raposo, conhecida no meio digital por Lyx. Nascida em Paris, a criadora viveu na capital francesa até aos 15 anos antes de se fixar em Moura, no Alentejo. O seu percurso inclui passagens pelo ensino de línguas e pelo trabalho como cabeleireira para a L’Oréal.
A transição para as plataformas digitais ocorreu durante o período de confinamento da COVID-19, após a conclusão da licenciatura e perante a ausência de propostas no mercado de trabalho tradicional. Depois de iniciar o percurso como camgirl — registando faturações diárias de 2.700 euros —, a criadora concentrou a atividade na plataforma OnlyFans.
Apesar da exposição da sua imagem, a criadora impõe limites ao seu raio de atuação. Lyx recusou uma proposta de 50 mil euros para protagonizar uma produção de sexo explícito, optando por manter a autonomia sobre a produção, distribuição e direitos do seu conteúdo.


