O filho mais novo do rei Carlos III, o príncipe Harry, pronunciou-se horas depois de ter perdido em tribunal um processo que movia contra a Associated Newspapers Limited. O julgamento durava há 46 dias.
O duque de Sussex manifestou-se através de uma declaração conjunta com a co-autora desta ação, Doreen Lawrence, como relata a People.
"Recorremos ao tribunal à procura de justiça e responsabilização. Mas não obtivemos nenhuma das duas. Este acórdão representa uma reviravolta completa em relação à posição que juízes anteriores adotaram relativamente às queixas de pirataria informática apresentadas com sucesso contra a News Group Newspapers e a Mirror Group Newspapers (que, na altura, foram representadas pelo próprio juiz que proferiu esta decisão)", começaram por reagir esta terça-feira, dia 7 de julho.
"As conclusões genéricas sobre vários investigadores privados, que os tribunais consideraram, nestas ações paralelas, terem realizado atividades ilegais precisamente na mesma altura, em relação a notícias semelhantes e a personalidades conhecidas, foram totalmente ignoradas. O facto de este tribunal ter optado por as rejeitar representa uma inconsistência difícil de compreender ou de conciliar com o senso comum, ou com as provas apresentadas na própria sala de audiências", acrescentaram.
"Trata-se de um encobrimento completo e óbvio, mas, infelizmente, não totalmente inesperado. No entanto, os esforços a que o tribunal chegou para ilibar o Mail são tão chocantes quanto totalmente injustificados", continuaram.
"Quando o Tribunal afirma que não há provas suficientes de irregularidades, apesar de os documentos indicarem o contrário, é natural questionar como é que a justiça alguma vez poderia ser feita", prosseguiram.
"Basta recordar quando um investigador privado contratado pelo Mail admitiu, em gravação, ter obtido ilegalmente informações da Baronesa Lawrence, ou quando uma jornalista registou o nome dos investigadores privados a quem recorreu para descobrir informações médicas altamente sensíveis (que até o próprio Mail teve receio de publicar), ou ainda quando outro investigador privado enviou por e-mail a uma das jornalistas o número exato do lugar na British Airways e os detalhes do bilhete de uma jovem que estava simplesmente a visitar o namorado, em troca de um pagamento", apontaram, aparentemente referindo-se à ex-namorada do príncipe Harry, Chelsy Davy, segundo a People.
"Parece que aqui há uma regra para os jornais e outra para os queixosos. Enquanto os queixosos apresentaram provas, os jornalistas do Mail limitaram-se a negar os factos, e o Tribunal optou por acreditar neles sem qualquer espírito crítico, mesmo perante inconsistências, contradições e falsidades flagrantes que eram óbvias para os observadores neutros presentes no Tribunal, quando comparadas com os documentos", destacaram também.
"Apresentámos ao tribunal provas que considerámos convincentes na altura e que continuam a sê-lo. Gostaríamos de agradecer à nossa equipa jurídica por todo o seu trabalho árduo e a todas as testemunhas que tiveram a coragem de se manifestar em busca da justiça", enalteceram igualmente.
Pouco depois de ter sido dada a conhecer a sentença, o príncipe Harry foi visto na Chatham House e não partilhou nenhum sentimento negativo, pelo contrário, até fez questão de se destacar com humor.
Ao referir-se ao local, o duque de Sussex fez, até, uma piada: "É uma das poucas salas no Reino Unido que tem ar condicionado, por isso compreendo porque é que todos os lugares estão ocupados."

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