Detido Suspeito Do Assalto Ao BAI Afirma Que Planeou A Operação Durante Vários Meses Antes Do Ataque



Um homem identificado como Edson Euclides Simão de Andrade afirmou, durante um interrogatório divulgado após a sua detenção, ter sido o alegado mentor do assalto à agência do Banco Angolano de Investimentos (BAI), localizada na Cidadela Desportiva, em Luanda. Nas declarações, o suspeito revelou que o grupo terá levado cerca de nove milhões de kwanzas e garantiu que o crime foi preparado durante vários meses, sem recurso a informações privilegiadas.

Segundo o alegado autor intelectual, a ideia do assalto surgiu depois de observar, durante a sua rotina, a chegada semanal da viatura de transporte de valores à agência bancária. O suspeito afirmou ter acompanhado a movimentação durante cerca de seis a oito meses para confirmar os horários, o número de seguranças e a forma como o dinheiro era descarregado.

"Fiquei surpreendido porque só havia três seguranças e apenas um estava armado. A partir daí comecei a estudar a operação durante vários meses", declarou.

Nas mesmas declarações, Edson Euclides Simão de Andrade disse ter recrutado outros três homens, identificados apenas pelos nomes ou alcunhas de Mário, Kadifuba e "Leva Dois", para executarem o plano. De acordo com o suspeito, os comparsas participaram previamente em reconhecimentos ao local e definiram os pontos estratégicos para facilitar a fuga em motorizadas.

O interrogado negou que o grupo tivesse recebido qualquer informação interna sobre a operação de transporte de valores, afirmando que toda a preparação resultou da observação feita no local. Acrescentou ainda que, numa das fases do plano, seguiram a viatura de transporte de valores para identificar o percurso habitual.

Durante o interrogatório, o suspeito declarou igualmente que o grupo utilizou duas armas de fogo na execução do assalto. Questionado sobre a proveniência da arma que alegadamente utilizava, afirmou tê-la adquirido, em Dezembro, na província de Benguela, por 350 mil kwanzas, acrescentando que o vendedor seria um indivíduo identificado apenas como "Chefe Bandi", que, segundo as suas declarações, estaria ligado à Polícia de Intervenção Rápida (PIR). Esta informação constitui apenas uma alegação do suspeito e carece de confirmação por parte das autoridades competentes.

O assalto ocorreu na manhã de 8 de Julho, na agência do BAI situada na Cidadela Desportiva, em Luanda, quando uma viatura de transporte de valores realizava uma operação de abastecimento. A acção criminosa provocou a morte de um segurança e deixou outro ferido, além de gerar momentos de pânico entre funcionários e clientes da instituição bancária.

As autoridades angolanas continuam a desenvolver diligências para esclarecer todas as circunstâncias do caso, enquanto o Serviço de Investigação Criminal (SIC) prossegue as investigações para apurar a eventual responsabilidade dos suspeitos, confirmar o montante efectivamente subtraído e verificar as restantes alegações feitas durante o interrogatório.