A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, por unanimidade, negar o pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra. A empresária está presa preventivamente desde o dia 21 de maio, no âmbito de uma investigação que apura suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O relator do caso, ministro Ribeiro Dantas, votou pela manutenção da prisão, sendo acompanhado pelos demais integrantes do colegiado. Os magistrados entenderam que não há justificativa para intervenção da Corte neste momento, uma vez que outros pedidos relacionados ao caso ainda aguardam análise em instâncias inferiores.
Na decisão, o ministro destacou que a prisão preventiva permanece necessária para garantir a ordem pública diante dos indícios apresentados pela investigação. Segundo ele, fatores como bons antecedentes, ausência de risco de fuga e o retorno voluntário da investigada ao Brasil não seriam suficientes para substituir a prisão por medidas cautelares alternativas.
“As condições pessoais favoráveis da agravante não afastam a necessidade da custódia quando existem elementos objetivos que recomendam sua manutenção”, apontou o relator.
Defesa critica prisão
Durante o julgamento, a defesa de Deolane argumentou que a medida seria desproporcional e destacou que a influenciadora é ré primária, empresária e mãe de uma criança de 9 anos. Os advogados também afirmaram que ela poderia ter prestado esclarecimentos sem a necessidade de prisão preventiva.
Segundo a defesa, a operação teve forte repercussão midiática e causou impactos emocionais à família da investigada. Os representantes legais sustentam que as acusações ainda precisam ser comprovadas e classificam a prisão como excessiva.
Investigação aponta lavagem de dinheiro
Deolane Bezerra foi presa durante uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria sido utilizado para ocultar recursos atribuídos ao PCC por meio da aquisição de bens de luxo e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada.
De acordo com o Ministério Público, os levantamentos identificaram movimentações milionárias, uso de empresas e recebimentos de origem ainda não esclarecida. Os investigadores também apontam possíveis vínculos entre pessoas ligadas à influenciadora e integrantes da organização criminosa.
Caso já envolve investigações anteriores
Esta não é a primeira vez que o nome de Deolane aparece em apurações relacionadas ao setor de apostas e movimentações financeiras suspeitas. Em 2024, ela foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava possíveis irregularidades envolvendo apostas online e lavagem de dinheiro.
Por meio de manifestações públicas, familiares e representantes da influenciadora negam qualquer participação em atividades criminosas. A irmã de Deolane, a advogada Daniele Bezerra, afirmou que a investigação estaria baseada em suposições e acusou as autoridades de promoverem uma perseguição contra a empresária.
O caso segue em investigação, e a defesa ainda poderá apresentar novos recursos à Justiça.
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