Iva Domingues Classifica Reações À “Casita” De Bad Bunny Como “Escândalo Sociológico”



Depois de alguma controvérsia em torno da "casita" de Bad Bunny (uma casa que está montada no palco e que recebe alguns fãs durante o concerto do artista), devido ao facto de serem escolhidas, supostamente, as mulheres mais vistosas e, de certa forma, isso poder objetificar as mulheres, eis que Iva Domingues foi mais uma das figuras pública que deu a sua opinião. 


Nas redes sociais, a comunicadora, que esteve presente num dos concertos que o artista deu em Portugal, referiu que existem algumas incoerências sobre o assunto.

Iva faz a comparação entre a "casita" e outros locais como um paddock da Fórmula 1, referindo que existe um duplo critério baseado no "branding".

"Casitas…Cabines e Camarotes. É fascinante observar a criatividade de certas personalidades da praça quando chega a hora de decidir o que constitui objetificação da mulher e o que, misteriosamente, já não constitui. Se uma mulher estiver numa cabine de DJ, tudo bem. Empoderamento. Se estiver num camarote de futebol, excelente. Lifestyle. Se estiver num camarote de Carnaval do Rio, maravilhoso. Tradição. Se estiver no paddock da Fórmula 1, espetacular. Glamour. Se estiver numa zona VIP de um festival, perfeito. Experiência premium. Se estiver numa zona VIP de um concerto, irrepreensível. Entretenimento", começa por comparar Iva Domingues. 

"Mas se estiver na «casita» do Bad Bunny… aí, pelos vistos, atravessámos uma linha vermelha civilizacional. De repente, aquilo que durante décadas foi aceite em todas as indústrias do entretenimento, do desporto à música, transforma-se num escândalo sociológico sem precedentes", defende a apresentadora. 

"Aparentemente, a dignidade feminina não depende da autonomia da mulher, da sua capacidade de escolha ou do contexto em que participa. Depende da decoração do espaço onde está. Se o recinto tiver o nome de camarote, é liberdade. Se tiver o nome de VIP, é modernidade. Se tiver o nome de paddock, é prestígio. Mas se lhe chamarem «casita», instala-se imediatamente uma crise moral", referiu também.

"É uma teoria interessante: não são as pessoas nem as circunstâncias que determinam o significado das coisas. É o branding. Talvez a solução seja simples: na próxima digressão do Benito, mudam o nome para «Área Premium de Interação Artística e Networking». Assim, os mesmos comentadores que hoje veem objetificação talvez descubram amanhã uma inovadora expressão de liberdade, inclusão e participação cultural", concluiu a cara da TVI. 

Esta partilha de Iva Domingues surge após a crónica de Henrique Raposo para o jornal Expresso onde este refere que "não se pode ser feminista e gostar do Bad Bunny". 

"De manhã, dizes que és feminista contra os abusos do patriarcado, mas à noite vais a um concerto de um artista que objetifica a mulher e que até tem uma «casita» que funciona como o harém do macho latino? Sim, a tal casita representa a pior objetificação da mulher: andam gajos pelo recinto da festa a escolher as "gajas giras" que vão ter o "privilégio" de ir para o redil privado do artista! És feminista e aceitas a redução da mulher à condição de gado, é? Onde é que está a coerência?", escreveu o autor.

Recorde-se que nomes como Ana Markl, Cláudio Ramos e Filomena Cautela mostraram-se contra a ideia da "casita". 

"Uma pessoa que apregoa o que ele apregoa não pode ter dentro de um concerto, feito para tanta gente, uma casa de elite, uma casa onde só vão alguns", disse o apresentador de «Dois às 10».