Reações À Morte De Cândido Mota Emocionam Portugal E Celebram Seu Legado



O antigo locutor de rádio Cândido Mota morreu no passado domingo, aos 82 anos, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado, disse à Lusa uma fonte familiar. O comunicador estava doente há já algum tempo e morreu "sem sofrimento, rodeado da família e amigos próximos", referiu a sua filha, Teresa Mota.


Nas redes sociais multiplicaram-se as reações à sua partida e várias figuras públicas recordaram o legado que este deixou. 

Nuno Markl salientou a importância que este teve no mundo da rádio, para onde Markl sonhava ir um dia e recordou a primeira vez que falou com ele.

"Cresci com a voz do Cândido Mota. Lembro-me de já ter o sonho de trabalhar em rádio, de o ouvir no «Passageiro da Noite» e de pensar na coragem, na humanidade e no sentido de responsabilidade que era preciso ter para ser, de forma tão direta, um ombro para os ouvintes.

Lembro-me de rir ao ouvi-lo na «Roda da Sorte» e no «Com a Verdade M’Enganas» como a voz cúmplice perfeita da maneira quase punk como o Herman José reinventava o conceito de concurso televisivo. Depois, tive a sorte de ainda me cruzar com ele quando fui trabalhar para a Comercial em 93. Lembro-me que a nossa primeira conversa foi sobre o meu pai e História de Arte. O Cândido era um radialista old school na melhor das definições, um homem naturalmente preparado para conversar sobre tudo com conhecimento e sem esforço, com um nível de curiosidade e de cultura que, num mundo cada vez mais rápido, superficial e agressivo, tendemos a perder", explicou o radialista.

"Portugal e a rádio foram melhores por termos um Cândido Mota. A sua missão foi mais que cumprida e perante o estado das coisas só temos de não nos esquecer nunca de grandes como ele", disse ainda. 

Já Herman José, com quem o comunicador trabalhou em programas como "Roda da Sorte" e "Com a Verdade Me Enganas", partilhou um vídeo dos dois nas mais variadas situações em contexto profissional. Na legenda da partilha, o humorista escreveu o ano de nascimento e da morte do amigo que apelida de "solidário", "bondoso" e "profissional". 

O colega de profissão Júlio Isidro recordou o último Natal que passaram juntos na Casa do Artista onde refere, "ainda sorriam".

"Agora que ainda estou por cá, vivo aquele vazio irreparável da perda de mais um amigo. Este que me escolheu para trocar ideias, exercitar a indignação e com humor, alimentarmos o projeto de mudar o mundo. Tínhamos tantas diferenças e estávamos tão próximos nos princípios e nos valores da vida. O Cândido Mota só morreu no último momento. De resto saboreou a vida com tudo o que lhe deu prazer. Aqueles que começam a morrer largos anos antes do minuto zero, são os vencidos da vida. Neste momento o meu amigo «Passageiro da noite» partiu em busca do mistério da morte. Está em «Órbita» num supremo recomeço. Nós os sobreviventes de uma certa forma de fazer rádio, estamos sempre no ar, sempre contigo", referiu Júlio Isidro. 

Já o PCP recordou Cândido Mota como "uma das figuras mais emblemáticas da comunicação".

Na rede social X, o partido "expressou o seu profundo pesar pelo falecimento de Cândido Mota, militante comunista, e estendeu as suas sinceras condolências às suas filhas, netas e demais familiares". 

"Consolidou-se como uma das figuras mais emblemáticas da comunicação em Portugal, combinando uma carreira de destaque no rádio e na televisão com um firme compromisso cívico e político. [...] Cândido Mota tornou-se presença incontornável no Festival Avante!, onde durante mais de 35 anos foi a voz e o rosto acolhedores do Palco 25 de Abril. Para os milhares de visitantes da Quinta da Atalaia, a sua voz tornou-se um símbolo de serenidade e entusiasmo", salientou o partido. 

O Presidente da República, António José Seguro, lamentou também a morte do antigo locutor de rádio e considerou que a sua voz ficará na memória coletiva dos portugueses.

Numa nota publicada na página da Presidência da República, o chefe de Estado salientou "uma genuína preocupação pelo outro com o humor, deixando uma marca de proximidade e humanismo em todos aqueles com quem trabalhou e conviveu, destacando-se pela forma como, no «Passageiro da Noite», dava voz a quem não a tinha".