Polémica Explosiva: “Preferimos Salvar Animais a Idosos?” – A Mãe Imperfeita e Chagas Freitas no Centro da Tempestade

 


Carmen Garcia, conhecida nas redes sociais como "A Mãe Imperfeita", deu uma entrevista ao podcast "O que fazer quando tudo arde", do jornal Público, onde deu a sua opinião sobre as poucas condições a que os idosos estão sujeitos por faltas de apoio do Estado. Mas a pergunta da jornalista, Ana Sá Lopes, que a questionou sobre se "a nossa sociedade prefere velhos ou cães?”, deu origem a uma grande polémica. 


Com uma grande experiência na área da geriatria, a profissional de saúde não teve dúvidas.

"Entre um velho e um cão eu não tenho nenhuma dúvida de que a esmagadora maioria das pessoas escolhe o cão. Eu sei que vai ser super polémico dizer isto mas eu já acho que estamos dentro do campo da patologia, acho que isto já não é normal nem saudável. Eu tenho uma gata que adoro mas a minha gata não é minha filha, é minha gata, e eu não percebo... Chegamos a um ponto em que os animais são confundidos com humanos", começou por dizer a enfermeira.

"Há pouco tempo, numa discussão com uma colega, ela dizia que se houvesse um incêndio não tinha dúvidas nenhumas de que, entre uma pessoa que ela não conhecia de lado nenhum e o cão dela, ia tirar de lá o cão. E eu sou incapaz de compreender isto. Teria muita pena se acontecesse uma coisa destas à minha gata mas primeiro iria sempre tirar a pessoa. Acho que isto piora muito se ainda por cima a pessoa for mais velha. [...] Nós não somos uma sociedade que goste de velhos e isso é notório para quem trabalha com estas pessoas todos os dias", desabafou. 

Estas palavras provocaram um enorme rebuliço nas redes sociais e o assunto foi abordado pelo escritor Pedro Chagas Freitas que, nas suas páginas de Instagram e Facebook, referiu que não compreende quem "cria guerras entre temas que não são opostos".

"Deixem-se dessa merda. Estou farto de quem cria guerras entre temas que não são opostos. Há pessoas que parecem precisar de transformar a empatia numa competição miserável", começou por escrever o autor que deu exemplos de temas que, na sua lógica, não têm de ser colocados em lado contrário.

"«Então preocupas-te com animais e não com idosos?»" e ainda "«Então defendes refugiados mas e os portugueses?»”, escreveu.

O escritor explica que sente que é "idiota colocar sofrimentos a lutar uns contra os outros" e que "a compaixão não é um recurso limitado". 

"Um ser humano minimamente funcional consegue preocupar-se com uma criança doente, um idoso abandonado, um animal maltratado, uma mulher agredida, um homem destruído psicologicamente. Não são causas incompatíveis.[...]  Para quê transformar isso em trincheira?", atirou.

Mais à frente na sua publicação, o autor explica mesmo que acha estas comparações "estúpidas". "Que imbecilidade. Uma pessoa verdadeiramente boa ajuda", defendeu ainda. 

Este assunto foi comentado por várias caras conhecidas como Rita Salema, que defendeu "que a ignorância das pessoas e a maldade é gritante". Katia Aveiro foi outra figura pública a aplaudir as palavras do escritor, assim como a influencer Belém Silva. 

Também Carmen Garcia sentiu necessidade de se explicar e na caixa de comentários do escritor defendeu-se, referindo que tem noção de que dar a sua opinião sem medos tem consequências mas que, mesmo assim, não vai deixar de o fazer.

"A uma pergunta direta, uma resposta direta. Percebo que para algumas pessoas seja mais confortável ficar em cima do muro e dar a mão a Deus e ao diabo. Eu não funciono assim. A Ana Sá Lopes fez uma pergunta e eu dei a resposta. Entre velhos e cães, infelizmente, a nossa sociedade prefere os cães", afirma novamente a influencer.

"Chocamo-nos com cães presos por uma corrente, mas deixamos idosos amarrados dias inteiros a camas e cadeirões. Abandono de um cão é crime, abandono de um idoso não é. O nosso país prefere os cães. Fingir que isto não é verdade pode ser confortável, mas não é a posição que escolho para mim. Nunca vou ficar no conforto do cinzento. E a ter de escolher, colocarei sempre em primeiro lugar as pessoas", assumiu novamente.

Notícias ao Minuto
                                                                © Facebook - Pedro Chagas Freitas

 

A enfermeira partilhou ainda nas suas redes sociais imagens dos vários comentários que foram deixados no Instagram do jornal Público, onde inúmeras pessoas confessam que escolheriam salvar um animal em detrimento de uma pessoa, legitimando a sua opinião. 

"Não fui eu que trouxe o assunto ou a comparação, mas depois de ler estes comentários fiquei realmente aliviada por ter surgido tal tema. É que eu não fazia ideia de que as coisas estavam tão distorcidas e percebi que ainda tenho mais razão do que pensava inicialmente. Nunca tive medo de polémicas ou de dar a minha opinião e muito menos o vou ter agora. Dito isto, a vida humana, para mim, vale sempre mais do que a vida animal [...] A normalização da desumanização das pessoas assusta-me tanto", afirmou ainda. 

Carmen explica também que a intenção do podcast era "falar sobre a velhice com muita reflexão", mas que este assunto expôs "os desequilíbrios, a distorção afectiva e a desorganização das prioridades morais da nossa sociedade".