Trump Diz que Mãe Tinha “Paixoneta” por Rei Charles III



O rei Carlos III e a rainha Camila foram recebidos na Casa Branca, em Washington DC, esta terça-feira, no segundo de quatro dias de visita de Estado à 'terra da liberdade'. O presidente norte-americano, Donald Trump, deu conta de que a sua mãe "tinha uma paixoneta por Carlos", além de ter elogiado o "lindo sotaque" do monarca, que "deixará todos muito invejosos", quando discursar perante o Congresso.


"Sempre que a rainha participava numa cerimónia, a minha mãe ficava colada à televisão, e dizia: 'Olha, Donald, olha como isto é bonito'", revelou Trump.

E lançou: "Ela adorava mesmo a família real, mas também me lembro dela dizer muito claramente: 'Carlos é tão giro.' A minha mãe tinha uma paixoneta por Carlos. Dá para acreditar?"

Antes, o magnata atirou que estava "um lindo dia britânico", numa referência aos dias chuvosos do Reino Unido, o que arrancou gargalhadas da multidão.

"Melania e eu nunca esqueceremos a honra que Vossas Majestades nos demonstraram durante a nossa extraordinária visita ao Castelo de Windsor, em setembro passado. Agora, é um enorme privilégio para nós recebê-los. Terão uma estadia curta, mas maravilhosa", assegurou.

Mas as piadas não se ficaram por aqui. Aliás, o chefe de Estado considerou que o discurso do rei perante o Congresso, que ocorrerá mais tarde, "deixará todos muito invejosos daquele lindo sotaque". "É um homem muito elegante", complementou.

Trump recordou ainda o "laço secular" entre os Estados Unidos e o Reino Unido, e a história comum entre as duas nações, tendo feito referência à Magna Carta e à Revolução Americana.

"Antes de os americanos terem uma nação ou uma constituição, tínhamos, acima de tudo, uma cultura, um caráter e um credo. Antes mesmo de proclamarmos a nossa independência, nós, americanos, já carregávamos dentro de nós o mais raro dos dons — a coragem moral —, que nos veio de um reino pequeno, mas poderoso, do outro lado do oceano", exaltou, tendo apontado que a "causa da liberdade" americana não "surgiu como uma invenção intelectual de 1776".

"A fundação dos Estados Unidos foi o culminar de centenas de anos de reflexão, luta, suor, sangue e sacrifício em ambos os lados do Atlântico", afirmou.

Donald Trump não deixou de mencionar a rainha Isabel II, que descreveu como "uma mulher muito, muito especial".

"A rainha Isabel II — uma mulher muito, muito especial, de quem se sente imensa saudade em ambos os lados do poderoso Atlântico — plantou há muito tempo uma árvore jovem, que era muito jovem e bonita, e vejam como está agora. [...] Vemos hoje um símbolo vivo deste laço secular, a apenas algumas dezenas de metros à esquerda", disse, referindo-se a uma árvore que a monarca plantou nos jardins da Casa Branca, em 1991.

O presidente frisou ainda que, tal como os Estados Unidos, a árvore "foi plantada por mãos britânicas em solo americano".

Após o discurso de Donald Trump, os dois casais acenaram à multidão e entraram na Casa Branca, onde o presidente e o rei manterão uma reunião bilateral à porta fechada.

Recorde-se que a deslocação, realizada a pedido do governo do Reino Unido, pretende assinalar os "laços históricos" entre os dois países por ocasião do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos. 

Durante a estadia, Carlos III deverá tentar exercer uma influência diplomática discreta, nomeadamente durante um discurso perante as duas câmaras do Congresso norte-americano - o primeiro de um monarca britânico desde 1991. 

A visita incluirá também uma deslocação a Nova Iorque, onde Carlos III e a rainha Camila deverão visitar prestar homenagem às vítimas dos atentados de 11 de Setembro, e ao estado de Virgínia.

A viagem tem sido envolta em controvérsia devido às críticas públicas do presidente norte-americano ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Desde o final de fevereiro, após reservas expressas por Londres relativamente à intervenção militar dos Estados Unidos e Israel contra o Irão, Trump tem intensificado ataques verbais, chegando a desvalorizar o contributo britânico em missões internacionais e a ironizar sobre a liderança de Starmer.