SERNIC Recua Na Apresentação De Apreensão De 10 Toneladas De Drogas Em Maputo



O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) cancelou, à última hora, a apresentação pública de um armazém contendo cerca de 10 toneladas de substâncias em pó e dois mil litros de ácidos,  utilizados como precursores para a produção de drogas, numa operação que envolve cidadãos ligados ao Cartel de Sinaloa.

O convite à imprensa já havia sido formalizado para esta segunda-feira (20), às 15h30, em Mulotane-Bill, nas imediações do nó de Tchumene, indicando que os produtos apreendidos haviam sido testados positivamente como matéria-prima para o fabrico de estupefacientes. No entanto, sem explicações detalhadas, a instituição recuou da iniciativa, avançando apenas que mais informações serão divulgadas “em momento oportuno”.

A decisão inesperada surge poucos dias após o SERNIC anunciar a detenção de três indivíduos, incluindo dois cidadãos mexicanos supostamente ligados ao Cartel de Sinaloa, uma das mais poderosas organizações de narcotráfico do mundo.

A operação, descrita pelas autoridades como “de alta precisão”, resultou na captura dos suspeitos no Aeroporto Internacional de Maputo, a 11 de abril, após um trabalho de inteligência que monitorizava os seus movimentos. Entre os detidos está Jesus Aspuro, de 43 anos, apontado como parte da rede internacional anteriormente associada a Joaquín “El Chapo” Guzmán.

Segundo as investigações, o grupo pretendia instalar uma base logística no distrito de Matutuíne, explorando a sua posição estratégica para o escoamento de droga para mercados regionais e europeus.

O cancelamento da apresentação pública do armazém considerado peça-chave no alegado esquema  levanta questões sobre a transparência na gestão de um caso com claras ramificações internacionais.

Num contexto em que o Cartel de Sinaloa atravessa uma fase de reconfiguração interna, após a condenação de Ismael “El Mayo” Zambada nos Estados Unidos em 2025, a tentativa de penetração em novos mercados ganha contornos estratégicos e preocupantes.

Enquanto isso, a promessa de esclarecimentos “em momento oportuno” mantém a imprensa e a sociedade em suspenso num caso que, mais do que apreensões e detenções, expõe os desafios de transparência e segurança num país cada vez mais observado pelas redes internacionais do crime.