Segundo o Palácio de Buckingham, a deslocação, realizada a pedido do governo do Reino Unido, pretende assinalar os "laços históricos" entre os dois países por ocasião do 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos.
O programa do Rei e da Rainha Camilla, cujos pormenores não foram revelados, começa por um encontro informal com o Presidente norte-americano, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, para um chá privado.
Os dois chefes de Estado deverão ter um novo encontro bilateral na Casa Branca na terça-feira, onde terá lugar uma revista militar formal e um banquete à noite.
Durante a estadia, Carlos III deverá tentar exercer uma influência diplomática discreta, nomeadamente durante um discurso perante as duas câmaras do Congresso norte-americano - o primeiro de um monarca britânico desde 1991.
A visita ainda vai incluir uma deslocação a Nova Iorque, onde Carlos III e a rainha Camilla deverão visitar prestar homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro, e ao estado de Virginia.
A viagem tem sido envolta em controvérsia devido às críticas públicas do Presidente norte-americano ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.
Desde o final de fevereiro, após reservas expressas por Londres relativamente à intervenção militar dos EUA e Israel contra o Irão, o Presidente norte-americano tem intensificado ataques verbais, chegando a desvalorizar o contributo britânico em missões internacionais e a ironizar sobre a liderança de Starmer.
Estas declarações levaram figuras políticas como o líder liberal-democrata Ed Davey a defender o adiamento da visita, posição partilhada por 48% dos britânicos, segundo uma sondagem YouGov divulgada no início de abril.
Trump adotou na quinta-feira um tom mais conciliador, admitindo, em declarações à BBC, que a visita poderá contribuir para restaurar a chamada "relação especial" entre os dois países.
O especialista em Direito Constitucional da universidade Royal Holloway, Craig Prescott, disse à Agência France Press que o soberano deverá enquadrar as atuais divergências no âmbito de 250 anos de relações bilaterais com "altos e baixos", evitando referências diretas.
O rei, de 77 anos, que ascendeu ao trono em 2022 e continua em tratamento oncológico, vincou, é um orador eficaz e experiente em contextos diplomáticos.
Em visitas anteriores, como ao Canadá em 2025, recordou Prescott, o Rei destacou-se pela forma como abordou a ameaça de Trump tornar o país num 51.º Estado norte-americano, ao evocar um Canadá "forte e livre".
Paralelamente, o caso Epstein continua a ensombrar a deslocação, devido à ligação do príncipe André, irmão do rei, ao financeiro norte-americano acusado de crimes sexuais.
Apesar de não ter sido formalmente acusado, André permanece sob investigação, tendo recentemente perdido os seus títulos reais.
Alguns responsáveis políticos norte-americanos apelaram a um maior reconhecimento das vítimas por parte da família real.
No entanto, o Palácio de Buckingham rejeitou a realização de encontros com vítimas, alegando que tal poderia interferir com processos judiciais em curso.

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