Num discurso histórico ao Congresso norte-americano - o primeiro em 35 anos -, o rei Carlos III fez questão de sublinhar "a ligação inquebrável" com os Estados Unidos, sem contornar também as diferenças, num discurso que alguns analistas já descrevem como "o discurso mais político" do monarca britânico.
"Com o espírito de 1776 em mente, podemos concordar que nem sempre estamos de acordo, pelo menos, logo à partida", disse o rei Carlos III perante o Congresso norte-americano, esta terça-feira, durante a sua visita de quatro dias aos Estados Unidos.
"A nossa parceria é nascida do desacordo, mas nem por isso menos forte. Assim, talvez, neste caso, possamos perceber que as nossas nações são, de facto, instintivamente semelhantes - fruto de tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns, nas quais a nossa governação ainda hoje assenta", disse.
O Reino Unido e os Estados Unidos, sublinhou, "sempre arranjaram forma de se aliar" e proporcionar grandes mudanças, uma característica que descreve como muito importante atualmente, uma vez que os desafios que se enfrentam "são demasiado sérios para uma nação enfrentar sozinha".
No entender do monarca, é também preciso recorrer a força coletiva para "apoiar as vítimas" tanto da sociedade britânica como norte-americana.
Sublinhe-se que Donald Trump e a primeira-dama, Melania Trump, receberam Carlos e a mulher, Camila, com honras militares nos jardins da Casa Branca, no início da primeira visita oficial dos monarcas britânicos aos Estados Unidos desde a coroação.
A deslocação, com a duração de quatro dias, inclui encontros institucionais e um discurso de Carlos III numa sessão conjunta do Congresso norte-americano, retomando uma tradição que não ocorre desde 1991, quando Isabel II discursou perante os legisladores.
A visita decorre num contexto de alguma tensão diplomática, na sequência de críticas recentes de Trump ao Governo britânico, liderado por Keir Starmer, nomeadamente no âmbito da guerra contra o Irão.
Apesar desse enquadramento, o presidente norte-americano sublinhou o simbolismo da visita, considerando "um enorme privilégio" receber os monarcas britânicos em Washington.
Depois da cerimónia de receção, Carlos III reuniu-se com Trump na Sala Oval, estando previstos vários eventos protocolares ao longo da estada.

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