Joana Almeirante Celebra a Individualidade com o Novo Tema "Soamos Todas Iguais"



Joana Almeirante lançou recentemente o tema "Soamos Todas Iguais", que abre o novo disco que está a preparar e que, diz, será o álbum "mais pop que fez até agora". 


A cantora lançou o seu primeiro álbum de estúdio em 2023, "Leva-me Para Longe", depois de ter lançado antes alguns singles e um EP, tendo sido esta a sua rampa de lançamento para o caminho a solo. A artista, recorde-se, integrou a banda de Miguel Araújo quando tinha apenas 18 anos.

Além deste percurso a solo, Joana Almeirante tem ainda um projeto country com a também cantora Nena, "Dois Pares de Botas", que "surgiu de uma amizade que se foi criando", como recordou em entrevista com o Notícias ao Minuto.

"Somos ambas fascinadas por música country e foi isso que nos uniu. Mais tarde surgiu a oportunidade de criar este projeto e irmos para a estrada juntas - o que foi uma lufada de ar fresco, pois começar um projeto de início com uma amiga e com este estilo tão único que ambas adoramos foi muito especial e divertido", partilhou ainda. 

No dia 28 e 29 de abril ambas vão subir ao palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa, enquanto "Dois Pares de Botas". Será o encerramento da digressão. Questionada sobre se haverá novidades acerca deste projeto, Joana Almeirante destacou:

"O projeto sempre teve a premissa de ser algo muito esporádico, com tours pequenas e isoladas, porque ambas temos os nossos projetos a solos e a nossa prioridade sempre foi essa. O Dois Pares de Botas é e sempre será um projeto especial que faremos quando fizer sentido para as duas e com a leveza com que sempre o fizemos! Vamos fechar a tour deste ano em Lisboa e neste momento o nosso foco é fechar estes dois concertos em grande."

Até porque há agora a preparação de um novo álbum, que está ainda a ser construído, mas do qual a cantora já partilhou algumas 'luzes' em entrevista ao Notícias ao Minuto, falando sobretudo deste primeiro single, "Soamos Todas Iguais".

"Soamos Todas Iguais" é para falar de quem considera que há um conjunto de cantoras que soam todas iguais. Acaba por ser uma sátira?

A canção surgiu exatamente de uma sátira, quis transpor de forma leve e divertida um assunto que muitas vezes, na minha opinião, é só e puramente uma forma de comparação ingrata e puro desconhecimento. Todos temos a nossa individualidade e artisticamente todos somos diferentes, e foi exatamente isso que fiz questão de acordar nesta canção. Celebrar a nossa originalidade e individualidade.

Nunca sinto uma pressão no que toca a se devo ou não dizer o que tenho para dizer, simplesmente digo porque é o que sinto que preciso de dizer

E qual o feedback que tem recebido após o lançamento do tema e toda a sua divulgação? Sentiu que acabou por surtir algum efeito?

Sinto que a recepção da canção foi muito positiva, muito pelo facto de ser uma "surpresa" para o público que me acompanha pois é uma faceta minha que nunca tinha mostrado. Mas também por ser uma canção alegre e divertida, que é algo que não faz parte de grande parte do meu repertório. Só por isto já valeu a pena lançar esta canção.

Ter consciência de que existe esse tipo de comentários pode criar, de certa forma, alguma pressão extra na composição de uma música?

A pressão está sempre inerente na minha profissão, mas no que toca à minha parte criativa e processo de composição tento sempre que não haja qualquer tipo de intervenção e "pressão" associada. É a minha forma de me expressar e essa parte tem de ser mantida com verdade e intenção de passar a mensagem da forma mais pura e honesta possível. Portanto, nunca sinto uma pressão no que toca a se devo ou não dizer o que tenho para dizer, simplesmente digo porque é o que sinto que preciso de dizer. Esta canção foi exatamente isso, um desabafo.

Agora que está mais focada em também compor em vez de só interpretar, processo que está a adotar neste novo disco, como está a ser esta fase? A música é um método eficaz para exteriorizar as emoções?

Sinto que me estou a tornar mais compositora, e isso é uma novidade para mim. A minha faceta de intérprete sempre esteve mais presente nos meus primeiros discos e estar a criar um processo diferente para este novo disco tem sido um desafio que me tem dado muita pica. E, de certa forma, estou a conseguir expressar-me de uma maneira muito mais pessoal.

Sempre fui muito cautelosa e medrosa no que toca a lançar música, e o desprender-me destas duas partes que faziam parte do meu processo criativo tem sido bastante libertador

O que a levou a explorar este lado mais íntimo? Sente que está a dar um passo na carreira ao mostrar este lado mais pessoal? Pode ser uma espécie de novo patamar de segurança que está a atingir e a deixar, de certa forma, algum medo que possa ter existido mais no início da carreira?

Completamente! Sempre fui muito cautelosa e medrosa no que toca a lançar música, e o desprender-me destas duas partes que faziam parte do meu processo criativo tem sido bastante libertador. Acima de tudo, tenho sentido a necessidade de quebrar as minhas próprias barreiras e ir um pouco além. Acho que este desconforto é necessário para evoluirmos e sentirmos que estamos a criar um novo caminho, e só assim é que vamos realmente criar algo único.

É uma fase da sua carreira em que quer, no fundo, arriscar mais e sair da zona de conforto?

Sem dúvida! Na arte, o desconforto é a essência para criarmos algo novo que nem nós próprios sabíamos que existia. E explorar caminhos diferentes é necessário para nos mantermos vivos nesta área.

E vai manter-se pelo mundo pop ou irá explorar outros estilos musicais neste novo álbum?

Diria que este disco será o mais pop que fiz até agora.

O Miguel Araújo teve um impacto gigantesco no facto de me ter tornado artista - nem eu imaginava que esse seria o meu caminho até perceber o quão incrível era

No concerto de Santa Maria da Feira apresentou novas músicas, tendo servido como um teste ao vivo. Foi esclarecedor? Como correu essa experiência e o que retirou dela?

Testar as músicas ao vivo é sempre muito esclarecedor, porque as reações são sempre muito honestas e genuínas. O facto de ter tocado pela primeira vez a "Soamos Todas Iguais" e ouvir toda a gente a cantar a canção foi mesmo muito especial, foi a prova de que, de facto, as pessoas gostam desta canção e desta nova vibe.

Ter começado a trabalhar com a banda de Miguel Araújo como guitarrista e voz acabou por impulsionar a carreira a solo? Aliás, foi Miguel Araújo o responsável pelo seu primeiro single, "Bem me Quer". Que reflexão faz?

Sem dúvida, o Miguel Araújo teve um impacto gigantesco no facto de me ter tornado artista - nem eu imaginava que esse seria o meu caminho até perceber o quão incrível era. Sempre quis ser músico, não me imaginava a cantar as minhas próprias canções, mas tudo se foi alinhando e hoje já não imagino outra coisa.

A música "Bem me Quer" foi o início de tudo isto e a minha rampa de lançamento. Esta música mudou o rumo da minha vida e, portanto, sou eternamente grata ao Miguel pela oportunidade.