"Inadmissível": Iva Domingues e Tânia Laranjo Lideram Críticas a Cristina Ferreira



Depois de Nuno Markl e Andreia Rodrigues se terem manifestado publicamente sobre as palavras proferidas por Cristina Ferreira que comentou no programa "Dois às 10" a alegada violação de uma jovem de 16 anos por um grupo de adolescentes, eis que mais figuras públicas sentiram necessidade de se expressar sobre o assunto. 



Iva Domingues, uma das mais antigas e principais caras da TVI, fez uma publicação no Instagram onde escreveu: "Ou há consentimento. Ou é crime. Ponto final", referiu, não deixando a possibilidade de se comentar na rede social uma vez que bloqueou a caixa de comentários. 

Também Melânia Gomes se manifestou publicamente sobre o assunto, referindo: "Violação não é sexo. A culpa nunca é da vítima. E não é não.  Estamos de acordo, certo? Só porque vivemos tempos, onde parece que temos que lutar pelo óbvio todos os dias… ", disse a atriz. 

Quem também não ficou indiferente a esta controvérsia foi Ricardo Martins Pereira, mais conhecido como "O Arrumadinho". O comentador da CMTV criticou o facto de Cristina não se ter pronunciado sobre o caso, referindo que este caso é demasiado grave para a comunicadora não o fazer. 

"Não acho possível que a Cristina Ferreira fique em silêncio por muitas mais horas. Nem sequer consigo compreender como é que uma profissional da comunicação não entende que este silêncio é ensurdecedor, destruidor, fatal. Um caso com a gravidade como este merecia uma resposta na hora, logo após os primeiros alertas. E era, honestamente, o que achava que Cristina Ferreira iria fazer. [...] Não me passa pela cabeça que uma mulher, mãe, que tem projetos comerciais dirigidos a mulheres, que se projeta como feminista, pense aquelas alarvidades que lhe saíram da boca. Achei que tinha de faltar ali algum contexto, enquadramento. O silêncio e o bloquear os comentários na sua página de Instagram só vem provar que fui muito ingénuo. Afinal, Cristina Ferreira pensa mesmo aquilo que disse", começou por referir o jornalista.

"Pensa mesmo que uma miúda de 16 anos que está a ser violada por quatro marmanjos e lhes diz para eles pararem pode não ser ouvida pelos rapazes porque, então, «estão ali naquela adrenalina de quem está a fazer sexo». Tudo normal. Vai na volta a culpada é ela porque se pôs «a jeito». E porque falou demasiado baixo. Não é não, mas pelos vistos, segundo a doutrina Cristina Ferreira, às vezes as mulheres têm de dizer NÃO! aos berros, senão os coitados dos violadores não a ouvem. Acho tudo isto demasiado grave, insólito e inacreditável. Cristina Ferreira não entende que, doravante, quando falar, diga o que disser, seja qual for o assunto, vão apenas ecoar aqueles sons da professora do Charlie Brown e tudo o que se vai ouvir da boca dela é ruído. Uma comunicadora não entender isso é, para mim, um mistério sem explicação", concluiu. 

Tânia Laranjo recorreu à sua página de Instagram onde reúne mais de 50 mil seguidores para dizer:

"Anda-se há dois dias a filosofar sobre o significado de um «não». Como se fosse um enigma digno de tese académica, sujeito a interpretações, contextos e notas de rodapé. Mas não é: Um «não» não é uma charada. Não precisa de tradução simultânea, nem de um painel de comentadores. Não tem «entrelinhas», nem depende do entusiasmo do momento, do ambiente ou da vontade de quem ouve. Um «não» é o limite, não está sujeito a debates", escreveu a jornalista da CMTV.

"Difícil não é perceber um «não». Difícil é montar um móvel do IKEA sem sobrar parafusos. Difícil é esticar um salário mínimo até ao fim do mês. Difícil é pôr comida na mesa quando ela simplesmente não chega. Invocar confusão é a tentativa de transformar uma recusa clara num território negociável. Mas não há negociação possível: um não é não. E fingir o contrário diz muito menos sobre a complexidade da palavra e muito mais sobre a falta de carácter de quem insiste em não a entender", referiu também. 

Rebeca Caldeira também partilhou a opinião nas redes sociais através de um vídeo onde fez questão de explicar o verdadeiro significado da palavra "consentimento". 

As polémicas palavras de Cristina Ferreira

A propósito do início do julgamento do caso de uma jovem de 16 anos que terá sido violada por quatro influencers, em Loures, Cristina falou sobre o assunto no programa "Dois às 10". 

"Porque nós temos de falar disto. Porque é assim: mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve... claro que tem de ouvir, mas alguém entende aquele: 'Não quero mais?'", referiu a apresentadora da TVI na "Crónica Criminal". 

Estas palavras motivaram uma queixa na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). 

TVI reage a críticas nas redes sociais e revela que vai para tribunal 

A TVI emitiu um comunicado, na noite desta quarta-feira, onde defende Cristina Ferreira na polémica em que está envolvida. 

"Lamenta-se a forma, o tom, a descontextualização e a manipulação grosseira com que as palavras da apresentadora estão a ser interpretadas e disseminadas [...] Em nenhuma circunstância, a TVI, e naturalmente Cristina Ferreira, concordaria com a banalização de um qualquer crime e muito menos, o incentivaria ou desvalorizaria", pode ler-se no documento. 

"Outra coisa também é a impunidade com que a ofensa gratuita e leviana se espalha, sem controlo, sobretudo nas redes sociais. Os tribunais a quem se recorrerá tratarão de repor a justiça", termina o comunicado.