David Motta Quebra O Silêncio Sobre Depressão Incapacitante: "Não Conseguia Sair Da Cama"



Pouco tempo depois de se ter estreado no programa da SIC Caras, Passadeira Vermelha, em outubro de 2025, David Motta tornou-se num rosto bastante acarinhado pelo grande público. Mas nem tudo sempre foi um 'mar de rosas' na sua vida. A verdade é que o consultor de moda já viveu momentos atribulados na vida, como a detenção da mãe, Maria das Dores, e uma fase de depressão profunda que o levou a um estado limite.


Numa conversa franca com o site Fama Show, o também comentador social revelou que enfrentou a 'doença do século' durante dois anos e somente no ano passado é que procurou por ajuda. "Faz [agora] um ano que comecei a tomar antidepressivos pela primeira vez. Já tinha tomados uns para emagrecer, nunca foi para me curar, mas em automedicação, que não se pode fazer", começou por contar.


"A depressão que eu tenho é incapacitante, crónica. Eu não conseguia sair da cama. Pela primeira vez na vida não me queria arranjar, não queria tomar banho, não queria ver ninguém, não queria sair do escuro", desabafou.


No entanto, o seu estado depressivo chegou a atingir níveis extremos antes de ter procurado ajuda médica — algo que o stylist admitiu não ter feito antes, também por preconceitos enraizados. "São anos a achar que os antidepressivos são para gente fraca, de vir de uma geração que não falava de saúde mental (...) Era visto como uma fraqueza", notou.


"É uma doença que é mórbida e é mórbida quando as pessoas se suicidam, quando morrem de suicídio"

Em entrevista, David Motta destacou o facto de a depressão ser uma doença progressiva que se agrava quando não é tratada. Quanto a isso, falou sem receios sobre o ponto mais crítico a que pode levar. "Hoje em dia não se diz que as pessoas se suicidam, diz-se que as pessoas morrem de suicídio e quase sempre é porque alguma coisa na cabeça não está bem. Quase sempre é o estado final ou terminal da depressão", referiu.


"É uma doença também que é mórbida e é mórbida quando as pessoas se suicidam, quando morrem de suicídio, e, portanto, é assim que se chega", explicou o consultor de moda, confessando que também ele passou por esse lugar de dor extrema — numa fase em que ainda não estava a ser acompanhado clinicamente. Quanto a isso, reforçou a importância de quebrar o silêncio e de procurar ajuda.


Como se sai deste lugar tão sombrio? A resposta de David Motta

O pedido por acompanhamento psicológico veio trazer a mudança que o comentador do Passadeira Vermelha, na altura, necessitava. E, por se considerar "uma pessoa da evolução" e "inteligente", foi fácil de perceber que "estava num lugar muito mau, vários lugares muito maus". "Eu queria mudar", garantiu.


Além disso, David Motta não nega que a vida o agraciou com "um componente de sorte" com o primeiro acompanhamento médico e com a medicação. Contudo, o stylist também foi capaz de reconhecer que cada caso é diferente e que, por vezes, o processo pode ser, de facto, muito mais longo.


"Eu podia ainda estar a apalpar esse terreno e é válido. Também, como sou muito verbal e cruelmente verdadeiro comigo e com os outros, eu acho que fui capaz de transmitir ao médico muito rapidamente: ‘olhe, se isto me engordar mais do que eu já estou, eu não vou tomar, vou deitar fora’; ‘se isto me deixar um zombie adormecido o dia todo, eu não vou tomar, vou deitar fora’. E eu acho que isso ajudou, pelo menos, a desenhar o caminho para a medicação".



 Hoje, David Motta, a par do burnout e do esgotamento, ainda não recebeu um diagnóstico, porém, garantiu, com um sorriso nos lábios, que está verdadeiramente melhor, embora se mostre consciente de que a recuperação leva o seu tempo e tem, inevitavelmente, os seus desafios.


Destaque ainda para a partilha do consultor de moda a respeito do impacto físico e emocional que vive todos os dias nas áreas profissional e pessoal da sua vida. "Para cada dia intenso eu quase que preciso de dois para recuperar", relatou, dando o exemplo de um "acesso de energia e de positividade enorme" que sentiu recentemente.


"Ia-me meter outra vez num projeto e num espaço e depois pensei: ‘não, calma, David Motta, porque vais entrar outra vez em ansiedade, em stress, a acumular muita coisa, não vais, podes não fazer bem nenhuma coisa nem outra, ainda não estás exatamente curado’", contou, evidenciando a importância do autocontrolo, algo que "antigamente não existia" na sua vida.


"Eu era o verbo fazer, o verbo ir, o verbo comprar, vender. Sem pensar muito nisso. E convencido que o nosso sucesso pessoal, não só profissional, dependia da quantidade de coisas bem-sucedidas que nós fizéssemos. Hoje em dia, se eu tiver um dia em paz, para mim é um dia bem-sucedido", rematou por fim.