"A Tally é uma empresa de contabilidade de nova geração para as PME [pequenas e médias empresas] em Portugal, desenvolvemos um agente de inteligência artificial [IA] supervisionado por contabilistas certificados num modelo 'human-in-the-loop' [em que os humanos participam ativamente]", conta à Lusa Manuel Pina, fundador e CEO [presidente executivo] da Tally.
"Os clientes Tally passam a ter acesso a um serviço completo de contabilidade que alia a eficiência e escala da inteligência artificial com a segurança e fiabilidade da supervisão de um contabilista certificado", explica.
Questionado sobre quais são os mercados-alvo da tecnológica, Manuel Pina refere que a Tally está em iniciar a atividade em Portugal.
"Mas o nosso objetivo é chegar aos principais mercados europeus e aos Estados Unidos", admite.
Quanto à previsão de faturação no primeiro ano, "o objetivo da Tally é servir 500 PME nos próximos 12 meses, o que se traduz em mais de 600.000 euros de receita anual", salienta o CEO.
"O nosso investimento é, sobretudo, assegurado por capitais próprios e pela entrada de Angel Investors no capital da empresa", sendo que "neste último grupo, procurámos trazer investidores que sejam ao mesmo tempo fundadores ou gestores de grandes empresas e que nos ajudem com a experiência e conhecimento que têm", expõe.
Entre "os nossos investidores estão incluídos 'founders' de empresas como a Rows (Humberto Ayres Pereira), Bizay (Orlando Lopes), Coverflex (Nuno Pinto), Subvisual (Roberto Machado), ou Barkyn (Ricardo Macedo) através da Laika Ventures", acrescenta.
A Tally tem uma equipa de 10 pessoas que, "além dos dois fundadores, inclui engenheiros de software e contabilistas certificados" e "vamos continuar a contratar, sobretudo para posições de contabilidade", prossegue Manuel Pina.
A startup portuguesa é fundada por Manuel Pina, ex-diretor-geral da Uber e da Otovo, e António Marcelo, ex-diretor de operações da Uber e da Sword Health.
"Eu e o António, o meu cofundador na Tally, partilhamos um percurso em empresas que utilizam tecnologia e inteligência artificial para otimizar e melhorar a experiência do cliente em tarefas tradicionalmente manuais", relata o responsável.
Na Uber, "em particular, observamos centenas de parceiros, de TVDE e Entregas, a lançar e a gerir os seus próprios negócios e identificamos um conjunto de ineficiências na gestão contabilística dessas empresas", as quais "advêm, em grande parte, da dependência excessiva do contabilista para tarefas que podem ser automatizadas", enquadra Manuel Pina.
"Com o avanço da IA, é agora possível automatizar muitas dessas tarefas contabilísticas, manuais e repetitivas. Esta automação permite-nos atingir uma alta eficiência nas atividades rotineiras, libertando o contabilista para aplicar o seu conhecimento onde este realmente agrega valor. Para o cliente, isto traduz-se num serviço inovador e altamente eficiente, a um preço mais competitivo", acrescenta.
"É a criação de um negócio como a Tally, que opera com um modelo disruptivo, beneficiando tanto o cliente final como a classe profissional dos contabilistas, que nos move e inspira", remata.
O agente de IA que a Tally desenvolveu "desempenha um papel crucial em duas vertentes principais: junto das PME, que são os nossos clientes finais, e no apoio aos contabilistas" da startup.
"Para o utilizador final (PME), o agente oferece suporte em tempo real e 24/7 nas tarefas mais comuns", o que "inclui a recolha e o processamento de faturas e documentos, bem como o esclarecimento de dúvidas".
O agente IA "tem a capacidade de integrar um Contabilista Certificado na conversa sempre que a intervenção humana for essencial, garantindo assim que o fator humano é acionado no momento certo", garante o CEO.

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