Roberto Martínez concedeu, esta quarta-feira, uma entrevista conjunta a Rádio Renascença, TSF, Antena 1 e Rádio Observador, na qual abordou diversos temas, começando, desde logo, pelos rumores que o têm vindo a associar ao interesse de alguns dos maiores clubes do futebol europeu, entre eles, Manchester United e Ajax.
"O futuro do selecionador não é importante. O importante é o Mundial. O Mundial não pode esperar. O futuro do selecionador pode esperar e pode falar-se disso depois do Mundial. Acho que o que é importante é que a Federação, o presidente e eu estamos alinhados. O foco é o Mundial, e na minha cabeça é só preparar o Mundial para poder estar ao melhor nível", afirmou.
O treinador espanhol confessou, ainda assim, a existência de contactos para deixar Portugal, numa altura em que tem menos de meio ano de contrato pela frente: "É tudo normal na vida do treinador: quando não há bons resultados, a posição do treinador fica em dúvida. Quando há bons resultados, que é o nosso caso, porque felizmente a seleção de Portugal ganha muito, então é normal que eu tive...".
"Não, não é um tema tabu. Mas agora estamos alinhados para tentar fazer tudo aquilo que podemos para preparar a nossa seleção para o Mundial. O foco é esso. Estamos na federação todos juntos para o mesmo objetivo, que é lutar da mesma forma para o Mundial", sublinhou o selecionador nacional.
Já quando questionado com uma eventual renovação, atirou: "A missão do treinador é estar sempre focado para trabalhar todos os dias a um máximo nível. Eu tenho já 10 anos de experiência no futebol das seleções e o meu trabalho é isso. Isso dos cargos pode ser importante em empresas, em companhias, mas o futebol não é assim".
"O futebol é para preparar ciclos, é para preparar os torneios. Agora já tivemos uma boa experiência com a Liga das Nações, tivemos uma experiência que eu acho que foi muito importante durante o Europeu para preparar o balneário e crescer, para poder enfrentar torneios importantes. O resto não é importante", refletiu.
"Eu tenho um orgulho incrível em ser selecionador de Portugal. Para mim é um orgulho, é um momento muito importante, não só na minha carreira, mas na minha vida, porque a minha família adora viver em Portugal. E eu acho que o que é importante para o treinador é a intensidade de viver todos os dias da melhor forma possível", completou.
"Se tivermos uma prestação no Mundial ao nível da primeira parte contra França, não podemos estar satisfeitos"
Nesta mesma entrevista, Roberto Martínez recusou colocar metas para o Campeonato do Mundo, sublinhando que uma "má prestação" seria se Portugal não estivesse ao seu "nível: "No futebol, nós podemos medir o nosso desempenho sem olhar para o resultado. Nós estamos juntos há mais de três anos, há 36 jogos. E precisamos de ser nós mesmos. Contra França, no Euro2024, a primeira parte não é de Portugal. Mas, na segunda parte, muda tudo. Foi uma equipa que acredita muito naquilo que nós somos, no talento que temos e fomos a melhor equipa também no prolongamento. A segunda parte é de equipa campeã da Liga das Nações, mas a equipa da primeira não conseguia ganhar a competição".
"Se tivermos uma prestação no Mundial ao nível da primeira parte contra França, não podemos estar satisfeitos. Mesmo que ganhemos o jogo. Temos uma ideia muito clara do que é a nossa seleção, como queremos jogar e como queremos usar o nosso talento. É assim que queremos medir a nossa prestação", alertou.
"O importante agora são os três jogos que temos. Dois deles são em Houston, num estádio fechado, e por isso é que é muito importante para nós o jogo em Atlanta, contra os Estados Unidos, porque são as mesmas condições que vamos ter em Houston. O clima não é um problema, porque temos a temperatura preparada. O nosso foco é preparar o terceiro jogo, até porque só temos 14-15 treinos para o fazer", concluiu.
"Cristiano Ronaldo não tem a obsessão que se fala de fora sobre o golo 1.000"
A terminar, Roberto Martínez debruçou-se sobre o estado clínico de Cristiano Ronaldo, que o impediu de participar nos últimos jogos do Al Nassr. Sem dar qualquer tipo de certeza sobre a presença no último estágio antes do Mundial2026 (no final de março, com amigáveis diante de México e Estados Unidos da América), limitou-se a insistir que se trata de "uma lesão leve".
"De resto, só está lesionado o Nelson Semedo e que fica de fora. Depois há outros jogadores que estamos a acompanhar, o Rúben Neves, que tem uma lesão muscular, por exemplo. O que é importante para março é que precisamos de ter jogadores que estejam fisicamente aptos para poder estar no relvado", afirmou.
O espanhol deixou-se, ainda, uma certeza sobre o capitão da equipa das quinas: "Eu valorizo muito mais o comportamento dentro da área. O Cristiano não tem a obsessão que se fala de fora sobre o golo 1000. Porque o seu comportamento não é assim. No clube não posso dizer, mas aqui na seleção não é".
"No elevador, todos podemos falar do tempo, dos pastéis de nata e do Cristiano Ronaldo. Todos temos uma opinião sobre isso. Mas todos os jogadores são avaliados. Em relação à responsabilidade, à toma de decisões, ao controlo nos momentos difíceis, de poder jogar com a pressão de representar a sua seleção no Mundial. Isso é a atitude", terminou.

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