O chef dinamarquês René Redzepi, um dos nomes mais reconhecidos da gastronomia mundial, anunciou nesta quarta-feira (11) que está deixando o comando do restaurante Noma, em Copenhague, após denúncias de agressões físicas e humilhações contra funcionários.
A decisão ocorre depois que uma reportagem publicada pelo The New York Times trouxe à tona relatos de cerca de 35 ex-funcionários que trabalharam no restaurante entre 2009 e 2017. Segundo os depoimentos, a cozinha do estabelecimento era marcada por episódios de violência física, constrangimentos públicos e jornadas de trabalho extremamente longas.
O Noma, considerado um dos restaurantes mais influentes da gastronomia contemporânea e detentor de três estrelas Michelin, foi fundado e liderado por Redzepi por mais de duas décadas.
Pedido de desculpas e saída de cargos
Em uma publicação nas redes sociais, Redzepi afirmou assumir responsabilidade por suas ações e pediu desculpas pelos episódios relatados.
Segundo o chef, ao longo dos anos o restaurante tentou mudar sua cultura interna, mas reconheceu que isso não apaga os erros do passado.
“Tenho trabalhado para ser um líder melhor e o Noma deu grandes passos para transformar sua cultura. Reconheço que essas mudanças não reparam o passado. Um pedido de desculpas não é suficiente; assumo a responsabilidade por minhas próprias ações”, afirmou.
Além de deixar o comando do restaurante, Redzepi também renunciou ao cargo de conselheiro da MAD, organização global sem fins lucrativos voltada ao setor de hospitalidade que ele próprio fundou em Copenhague.
Relatos de agressões e jornadas exaustivas
Ex-funcionários ouvidos pela reportagem descreveram episódios de agressões físicas dentro da cozinha.
“Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, afirmou um ex-trabalhador ao jornal americano.
Os relatos também apontam jornadas de trabalho que frequentemente ultrapassavam 12 ou até 16 horas diárias nos períodos mais intensos. Parte significativa da equipe, segundo os depoimentos, era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração, mesmo com a alta carga de trabalho.

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