O look que Margarida Maldonado Freitas escolheu para a tomada de posse do marido, António José Seguro, como Presidente da República, que decorreu esta segunda-feira, 9 de março, continua a levantar alguma polémica.
Seja pelo preço (4900 euros) ou pelo facto da farmacêutica ter personalizado a peça (incluiu três corações de Viana em filigrana), um vestido azul da marca Valentino, a escolha da primeira-dama dividiu opiniões.
O escritor Pedro Chagas Freitas saiu em defesa de Margarida e nas suas redes sociais partilhou a sua opinião sobre a polémica referindo que se trata de um problema com um fundo machista.
"A Margarida Maldonado Freitas veste o que ela quiser. A sociedade moderna não perdeu o vício de todas as anteriores: vigiar as mulheres. Vigia o que fazem, o que dizem, o que vestem, quanto custou, se sorriram demasiado, se falaram demasiado alto, se foram demasiado elegantes, insuficientemente discretas", esclarece o autor, fazendo o paralelismo com o dia da Mulher, que se assinalou no dia anterior.
"No 8 de março multiplicam-se discursos inflamados sobre a liberdade feminina, sobre a igualdade; no dia seguinte, uma mulher veste um vestido caro e surge um tribunal popular a decidir se aquilo foi apropriado. A liberdade existe; só tem é de ser modesta. Eu acho que o problema não é o preço. A sociedade tolera a ostentação masculina: homens ricos sempre foram autorizados a exibir carros caros, relógios absurdos, sapatos que custam vários salários mínimos. Chamam-lhe sucesso", referiu ainda.
"Quando uma mulher ocupa um espaço visível, quando não pede desculpa por existir, a reação muda. Aparecem palavras-chave: «excesso», «sensibilidade», «decoro». É o velho, decrépito, miserável, vocabulário da contenção feminina. A liberdade feminina ainda provoca desconforto. Às vezes, disfarça-se esse desconforto com argumentos económicos", disse ainda.
No fim da publicação, o autor destaca que não deveria ser preciso falar sobre o assunto e remata com a primeira frase que escreveu: "A Margarida Maldonado Freitas veste o que ela quiser".
Na caixa de comentários há quem aplauda as palavras do escritor.
"Tudo dito", escreveu Catarina Gouveia.
"Grata pelas suas palavras sempre tão bem colocadas"; "É muito bom ler tudo o que escreve! Adorei o texto!" e ainda: "Mas que texto tão expressivo e certo. Sempre certo no que escreve", foram outras das palavras deixadas na publicação de Pedro Chagas Freitas.

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