Numa conta na rede social X relacionada ao coletivo, designado como "Handala Hack", os 'hackers' justificam o primeiro ataque pelas ligações entre a Stryker e Israel, uma vez que o grupo industrial adquiriu uma empresa israelita em 2019.
Na mesma plataforma, o coletivo de 'hackers' alega que esta ação é uma retaliação após o bombardeamento de uma escola primária em Minab, no sul do Irão, a 28 de fevereiro, que causou mais de 150 mortos, segundo as autoridades iranianas.
O ataque terá sido causado por um erro nas coordenadas do exército norte-americano ao atingir uma base iraniana adjacente, segundo os resultados preliminares de uma investigação militar interna hoje citados pelo jornal The New York Times.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, refutou várias vezes a responsabilidade do exército neste ataque, cujo balanço não pode ser verificado de forma independente, devido à falta de acesso ao local.
Noutra mensagem publicada na rede social X, o coletivo "Handala Hack" reivindicou outro ciberataque, desta vez contra a plataforma especializada em pagamentos eletrónicos Verifone.
A Stryker e a Verifone ainda não comentaram os incidentes.
Batizado com o nome de um personagem símbolo do povo palestiniano, o grupo que começou a dar que falar no final de 2023 é descrito por especialistas em cibersegurança como um agente afiliado ao Irão.
O grupo ataca principalmente organizações israelitas ou entidades ligadas ao Estado judaico.
O "Handala Hack" utiliza diferentes métodos, desde roubo de dados até desconfiguração de sites, passando por pedidos de resgate.
Desde o início da guerra no Irão, o grupo multiplicou as reivindicações de ataques contra infraestruturas israelitas, afirmando, em particular, ter "acesso completo" às câmaras de segurança de Jerusalém e ter atacado estações meteorológicas em território israelita.
Segundo a Shomrim, uma plataforma de jornalismo independente e sem fins lucrativos, a polícia israelita opera por todo o território mais de 6.600 câmaras de videovigilância.
"Diria que este é o grupo mais notório afiliado ao regime iraniano", comentou hoje Gil Messing, responsável pelos serviços de informações especializados em cibernética da empresa israelita Check Point.
"Estamos a acompanhá-los há anos e acreditamos que trabalham para o Ministério da Informação iraniano e que também utilizam outros nomes", acrescentou.
De acordo com um relatório publicado no início do ano pela Google Threat Intelligence, "as atividades maliciosas atribuídas a este (grupo) consistiram principalmente em operações de pirataria informática seguidas da divulgação de dados" e, de forma mais ampla, em "táticas destinadas a alimentar o medo, a incerteza e a dúvida".
Os Estados Unidos e Israel iniciaram em 28 de fevereiro uma ofensiva aérea contra o Irão e mataram nesse dia o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que foi entretanto substituído pelo seu filho, Mojtaba Khamenei.
O Irão respondeu desde então com lançamentos de mísseis e drones contra Israel e infraestruturas, sobretudo energéticas, e bases norte-americanas em vários países do Médio Oriente.

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