Donald Trump Comenta Sobre Irão E Mundial De Futebol: “Será O Mais Seguro Evento Desportivo Dos EUA”



Donald Trump recorreu, esta quinta-feira, à sua própria rede social, a Truth Social, para defender que o Irão deve repensar a presença no Campeonato do Mundo, competição que os Estados Unidos da América irá organizar, entre os dias 11 de junho e 19 de julho, em conjunto com o Canadá e o México.


"A seleção nacional de futebol do Irão é bem-vinda no Campeonato do Mundo, mas não acredito realmente que seja apropriado que estejam lá, pela sua própria vida e segurança. Obrigado pela vossa atenção a este assunto", escreveu, sucintamente, o presidente norte-americano, numa altura em que a guerra entre ambos os países não dá qualquer tipo de indício de que venha a terminar, a curto prazo.

"Os Estados Unidos da América estão muito ansiosos por receberem o Campeonato do Mundo. A venda dos bilhetes está a rebentar a escala! Vai ser o maior e mais seguro evento desportivo da história americana. Todos os jogadores, árbitros e adeptos vão ser tratados como as 'estrelas' que são", acrescentou, noutra publicação.

Uma posição que vai, de resto, àquela que foi assumida pelo próprio presidente da FIFA, Gianni Infantino, na passada quarta-feira, na rede social Instagram, onde divulgou as conclusões de uma reunião mantida com Donald Trump, numa altura em que faltam menos de 100 dias para o arranque do Mundial2026.

"Nós também falámos sobre a atual situação no Irão, e do facto a seleção iraniana se ter qualificado para o Campeonato do Mundo de 2026. Durante as discussões, o presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, claro, bem-vinda a competir nos Estados Unidos da América", referiu.

"Todos nós precisamos de um evento como o Campeonato do Mundo, para unir as pessoas, agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos da América pelo seu apoio, uma vez que demonstra, uma vez mais, que o futebol une o mundo", concluiu o líder máximo do organismo que rege o futebol internacional.

Irão ameaça boicotar o Mundial2026

Ainda esta semana, o ministro do Desporto do Irão, Ahmad Donyamali, assumiu, ainda assim, que o país poderá mesmo vir a recusar participar no Campeonato do Mundo de 2026, devido aos ataques de que tem vindo a ser alvo por parte dos Estados Unidos da América, um dos organizadores da prova.

"Uma vez que este governo corrupto assassinou o nosso líder [o aiatola Ali Khamenei], não temos condições para participar no Mundial", afirmou, em declarações reproduzidas pela agência noticiosa alemã Deutsche Presse-Agentur (DPA), referindo-se ao executivo norte-americano, liderado por Donald Trump.

"Na sequência das medidas maliciosas tomadas contra o Irão, duas guerras recaíram sobre nós, no espaço de oito ou nove meses, e vários milhares de pessoas nossas foram assassinadas. Nesse sentido, não temos, definitivamente, possibilidade de participar, desta forma", completou.

Palavras aplaudidas pelo presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, que sustentou, ainda, um potencial boicote à competição com os diversos episódios polémicos que têm vindo a derivar da participação da seleção nacional feminina na Taça Asiática, que decorre até ao próximo dia 21 de março, na Austrália.

"Que pessoa sensível enviaria a sua seleção nacional para os Estados Unidos da América, se o Mundial se revelasse tão político como aquilo que está a acontecer, na Austrália?", atirou, depois de seis jogadoras terem recebido asilo humanitário para permanecerem no país, alegando motivos relacionados com a própria segurança.

A seleção iraniana de futebol feminino, recorde-se, recusou entoar o hino nacional, no primeiro encontro da Taça Asiática, em protesto com o regime do próprio país. Uma decisão que levou a própria televisão estatal do Irão a qualificá-las de "traidoras", num período marcado pelo escalar da guerra.