União Africana Pressiona ONU Para Reconhecer Escravatura Como Crime Contra A Humanidade



A União Africana aprovou uma resolução que será apresentada em março às Nações Unidas, solicitando que o tráfico transatlântico de escravos seja reconhecido como “o crime mais grave contra a humanidade”. A iniciativa foi anunciada pelo Presidente do Gana, John Dramani Mahama, enviado especial da UA para a mobilização de reparações aos países africanos pelo colonialismo.

Segundo Mahama, trata-se de um momento histórico para os povos afrodescendentes. “A verdade não pode ser enterrada. Os fundamentos jurídicos são sólidos e o imperativo moral é inegável”, afirmou, durante a 39.ª Cimeira Ordinária da União Africana, realizada em Adis Abeba. O líder ganês defendeu ainda que a justiça reparadora deve ser conquistada com determinação e unidade, à semelhança da luta pela independência política.

O tráfico transatlântico de escravos ocorreu entre os séculos XV e XIX e terá provocado o deslocamento forçado de mais de 12 milhões de pessoas, maioritariamente da África Ocidental e Central. A União Africana considera que o reconhecimento formal deste crime ao mais alto nível internacional constitui um passo essencial para o debate global sobre responsabilidade histórica e reparações.