Nova Temporada de "Cross" no Prime Video Aborda Justiça Popular e Vigilantes Contra Bilionários



Essa aproximação à realidade é algo que surpreendeu até o criador Ben Watkins, que começou a trabalhar na segunda temporada da série antes de Luigi Mangione ter sido preso e acusado de assassinar o milionário Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, em dezembro de 2024. 


 

"É quase como se estivéssemos a prever o futuro", disse à Lusa o 'showrunner'. "Muitos destes temas existiam, mas não eram tão proeminentes como são agora". 


Com base nos livros de James Patterson, "Cross" é um 'thriller' centrado num detetive afro-americano com um doutoramento em psicologia, Alex Cross. Nos novos oito episódios, o personagem interpretado pelo ator Aldis Hodge vai enfrentar um mistério onde são questionados os limites da justiça popular. 


"No caso do vigilantismo, queria muito contar uma história onde pudesse vivenciar indiretamente a experiência de uma personagem que decidisse fazer justiça pelas próprias mãos", explicou Ben Watkins. "Mas queria que esta personagem nos levasse a questionar seriamente até onde podemos ir", continuou. "Decidimos levar o público a torcer por uma assassina e levá-la tão longe que tenham de se perguntar se estão a torcer por um monstro". 


O público é levado a questionar quem é o herói e quem é o vilão, já que do outro lado está um bilionário, Lance Durand, que tem o objetivo de acabar com a fome no mundo. 


"Ele está ali para salvar a humanidade e é uma questão de fazer o que for necessário", disse à Lusa o ator Matthew Lillard, que dá corpo a Lance.  "Ele tem uma semente da prosperidade que vai permitir alimentar o mundo. Há danos colaterais? Talvez", continuou. 


Para Lillard, este é um papel complexo que faz duvidar sobre o que está certo e errado. A sua opositora, Rebecca, é uma "vigilante implacável", tal como descreveu a atriz Jeanine Mason. 


"Ela é alguém que está em busca de vingança, como um comboio de alta velocidade", afirmou. "E não foi difícil para mim compreender como chegou a esta conclusão de sentir que, se ninguém vai fazer nada, se nada vai estar do lado da compaixão e equidade, então ela vai agir". 


Quem tentará pará-la é o detetive Alex Cross, que começa a temporada num lugar bom e rapidamente vê as coisas a deteriorarem-se. "Vai chegar a um ponto de ebulição em que ele tem de disputar alguns dos seus princípios e tomar decisões que não planeava tomar", explicou o ator Aldis Hodge, lembrando que o título desta temporada é "Fruto Amargo".


"A pergunta que fazemos ao público é: pode justificar-se alguém que está a fazer algo errado, mas por razões certas?", apontou. "Ou para alguém que está a criar algo grandioso do qual muitos podem beneficiar, mas que o está a fazer por meios horríveis, isso é socialmente aceitável?". 


A reflexão, disse, passa por indagar da responsabilidade individual enquanto alguém que pode participar, afastar-se, beneficiar disso ou opor-se, algo que o ator considera ter-se tornado mais relevante nos últimos anos. 


"Quando fazes acordos às escuras, esses demónios vão encontrar-te, virão à tona", acrescentou Isaiah Mustafa, que interpreta o parceiro de Alex Cross, detetive John Sampson. 


É isso que vai experimentar a agente especial Kayla Craig, encarnada por Alona Tal, que começa a temporada numa posição de vulnerabilidade. 


"Ela é apanhada entre a espada e a parede, que é querer fazer o seu trabalho da melhor forma possível mas também querer proteger-se", disse a atriz. "E essas duas coisas nem sempre se alinham". 


Johnny Ray Gill, que dá a cara pelo personagem Bobby Trey, vai estar no centro da confusão com a agente Craig. "Será explosivo e uma montanha-russa de emoções para os fãs de todo o mundo", prometeu o ator. "Ver estes dois a ajudarem-se para tentar conseguir o que querem será muito interessante e muito intenso".