A Estrada Nacional Número Um está cortada entre o Rio Save e Muxúnguè, devido ao transbordo do rio Muar, no distrito de Machanga, em Sofala. As águas causaram erosão que danificou os encostos da ponte, cortando a estrada e impedindo a ligação rodoviária entre o Sul e o resto do país. As autoridades alertam para a necessidade de evitar a travessia enquanto persistirem as cheias, de modo a prevenir acidentes e perdas humanas.
O rio Save transbordou deixando a Estrada Nacional Número Um (EN1) intransitável no troço entre o rio Save e Muxúngué. Apesar do perigo, um camião arriscou atravessar as águas, numa situação que expôs o elevado risco para a circulação rodoviária.
As imagens no local são de estrada debaixo da água e alguns automobilistas a tentarem transitar para não ficarem retidos. Mas a estrada não resistiu à pressão da água e cedeu nos encostos da ponte sobre o Rio Muar, e solos foram arrastados, interrompendo a transitabilidade.
Até ao fim do dia de ontem, segunda-feira, não era possível passar por este troço, apesar dos esforços dos automobilistas e passageiros.
A informação foi revelada por Egídio Morais, delegado da Administração Nacional de Estradas em Sofala, que confirmou a cedência da terra na ponte, o que provocou erosão que propiciou a degradação da infraestrutura.
“Está interrompido a ligação ou a circulação entre o rio Save e Muxúnguè, isso na EN1, concretamente na ponte sobre o rio Muar, por conta das águas que criaram uma cratera no acesso à ponte sobre o rio Muar, no lado sul da ponte. O que terá acontecido é que a água do rio Muar transbordou e passou por cima, tendo criado erosão no acesso sul”, disse.
A Administração Nacional de Estradas ainda não tem data prevista para resolver o problema. “Nós estamos a mobilizar meios, de modo que haja uma resposta rápida e imediata para continuar a ligação terrestre”, confirmou.
Egídio Morais esclareceu ainda que as águas começaram a galgar a estrada, ou seja, a passar por cima da ponte desde a manhã deste domingo, até ao fim do dia de domingo, até a manhã desta segunda-feira.
“Fomos avaliando a situação e fomos entender que, afinal de contas, ela criou erosão no acesso da ponte sobre o rio Muar”, revelou.
Por sua vez, Elcidio Madeira, porta-voz da Associação de Transportadores de Sofala, mostra-se preocupado com os prejuízos que a situação está a causar aos associados.
“Como sabemos, a Estrada Nacional Número Um é a espinha dorsal do nosso país. Ele liga as zonas Centro, Sul e Norte. Como transportadores, esta é uma situação que vai nos trazer diversos transtornos, visto que é uma situação inesperada. Não contávamos que ela acontecia. Temos camiões no meio do caminho com um plano de trabalho, um plano de viagem, uma logística para um determinado tempo. Ou seja, contávamos que a viagem ia ser feita em 24 horas ou 48 horas no trajecto Centro-Sul e subcentro”, disse.
Madeira argumentou ainda que com esta situação, existem camiões em insegurança nos dois lados, acumulando custos logísticos, para além de demoras na entrega das mercadorias aos clientes.
“E não só tem a parte humana dos motoristas, que de certeza devem estar em uma situação não muito boa. Resumindo, essa é uma situação que a nível humano, social, econômico, dos próprios transportadores, da própria economia, não dignifica ou não deveria estar a acontecer neste exacto momento”, disse, pedido para que a situação seja solucionada o mais rápido possível.
A continuação de chuvas fortes poderá complicar a reposição da transitabilidade.
INAM prevê intensificação de chuva entre quarta e quinta-feira
O Instituto Nacional de Meteorologia prevê continuação de chuva, para esta terça-feira, e que entre quarta e quinta-feira a precipitação aumente, em alguns pontos do país. As chuvas poderão estar acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas.
Com a época chuvosa já em curso, o INAM prevê que a chuva que cai, desde sexta-feira, continue, nos próximos dias, devido à formação de um sistema de baixas pressões.
“Em relação ao dia de amanhã, na zona sul irá continuar a chover, mas não muito forte em relação a ontem e hoje. Vai abrandar um pouco e lá para os dias 14 e 15 teremos chuva novamente em Maputo. Chuva moderada forte e localmente muito forte. Portanto, o INAM recomenda medidas de precaução e segurança face ao risco associado a chuvas fortes localmente muito fortes. Em termos de vento, nós teremos vento de quadrante norte por vezes de sudeste. Teremos rajadas de vento principalmente nas províncias de Tete e ao longo da zona costeira. Em termos de temperatura, não há assim uma alteração apreciável de temperatura. E contudo, teremos muita umidade em todo o país. Dizer taxativamente qual é o dia que a chuva vai cessar, não podemos dizer neste momento”,explicou Geneth Domingos, meteorologista.
As regiões sul e centro do país poderão ser as mais afectadas pela precipitação.
“Eu recomendo que acompanhem as previsões meteorológicas, pois nos próximos dias teremos ainda chuvas críticas aqui na zona sul do país. Para as províncias de Nampula, Cabo Delgado, Zambézia, há possibilidade, há chances de ocorrer chuva, mas não chuva forte. Mas enquanto que aqui na zona sul e as províncias de Sofala, Manica e Tete há continuação de chuvas”.
As chuvas registadas chegaram a atingir 100 mililitros, em alguns pontos.
“De acordo com o nosso comunicado, está dentro do padrão daquilo que o INAM previu. Se nós prevíamos cinquenta milímetros ou acima. E temos províncias como Gaza, por exemplo, temos precipitação acima de cem milímetros, quer dizer que há muita chuva. Massangena, Chicualacuala, são regiões que registaram muita precipitação. E mesmo aqui em Maputo, tivemos aproximadamente cinquenta milímetros”.
Para já, não há previsão de ocorrência de ciclone que afecte o país.

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