César C. Chiyaya Lança Polêmica: “Quanto Vale Uma Foto Com Um Pobrezinho?”



Quando alguns brasileiros vão “na África” posar com os pobrezinhos, como é o caso desta brasileira que possivelmente foi a Moçambique para chorar e monetizar, não é porque amam a filantropia, na verdade, levam uma sopinha em troca de uma foto e o conteúdo vale milhões:

1 - Em alguns casos, até pode haver sentimento verdadeiro, mas conhecemos brasileiros que andam lá no “fim do mundo” de África, a trabalhar dia e noite para ajudar comunidades mais carenciadas.

2 - O trabalho desses brasileiros não tem preço, só Deus os pode pagar e, curiosamente, parece que não conseguem sequer tirar umas fotos bonitas com os pobrezinhos para o Instagram e monetizar - devem estar muito ocupados.

3 - Sugiro que façam uma pesquisa sobre brasileiros com verdadeiros projectos em África; eles estão há décadas a desenvolver estratégias para tirar várias comunidades da extrema pobreza e, para piorar, são combatidos pelos governos desses mesmos países, que deixam o seu povo morrer à fome…

4 - Mas aqui a questão não é sobre os verdadeiros projectos. É sobre “posar com os pobrezinhos” enquanto se oferece uma sopinha em troca de uma foto para o Instagram e monetizar.

5 - É incrível que a pobreza da nossa gente se tornou conteúdo, um conteúdo que “furou a bolha”. É um tipo de conteúdo muito valioso; por isso, vale, sim, uma longa viagem do Brasil para qualquer lugar “na África” onde há fome. A missão destes “filantropos” é a foto que monetiza…

6 - Eles descobriram como o algoritmo entrega muito bem este tipo de conteúdos. Esta é uma descoberta que quem realmente trabalha com e para estas comunidades se recusa a explorar; assim, os produtores de conteúdos com “pobrezinhos” tiram bom proveito, pois não têm concorrência.

7 - Usam o emocional, a parte mais sensível do ser humano, e os números são absurdos. O Instagram entrega muito bem este tipo de conteúdo — nem vale a pena falar na estratégia de como publicam estes conteúdos…

8 - Por outro lado, grande parte dos africanos, por não compreender muito bem a “engenharia social” por trás do engajamento(engagement) e da monetização, vai cedendo espaço para que a sua pobreza se transforme num produto do Instagram.

9 - Mas, claro, eu particularmente não espero que todos compreendam esta conversa desagradável, porque sei que o africano é muito pela emoção, portanto, é difícil explicar ou falar sobre este novo tipo de “turismo” e o quão valioso ele é.

10 - Seja como for, vamos lá “na África” levar uma sopinha e tirar uma foto instagramável…

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“E até lá, estou-me nas tintas”.