Aquecimento Global Já Ultrapassou 1,5 °C Anos Antes Do Estimado, Revela Nova Pesquisa



Novas pesquisas sugerem que ultrapassamos o aquecimento de 1,5 °C anos antes do que se pensava.

Um novo estudo indica que o planeta pode ter superado um limite climático crítico vários anos antes do que apontam as estimativas oficiais. Pesquisadores do Oceans Institute da Universidade da Austrália Ocidental analisaram os esqueletos calcários de seis esclerospongas caribenhas de vida longa — esponjas marinhas que crescem extremamente devagar e funcionam como “arquivos naturais” das condições do oceano — para reconstruir as temperaturas do mar desde o ano 1700. Ao medir as proporções de estrôncio e cálcio nessas esponjas, eles inferiram um histórico detalhado do aquecimento oceânico local que se estende muito antes dos registros instrumentais modernos, que só começam por volta de 1850. A reconstrução sugere que o aquecimento global significativo começou cerca de 80 anos antes das linhas do tempo usadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e que a temperatura média global pode já ter ultrapassado 1,5 °C — chegando até cerca de 1,7 °C — acima dos níveis pré-industriais por volta de 2020.

Essas conclusões, publicadas na revista Nature Climate Change, indicam que a janela para reduzir emissões e evitar os piores impactos climáticos é ainda mais estreita do que se pensava. No entanto, alguns cientistas do clima demonstram ceticismo quanto a rever estimativas globais com base em dados de um único local no Caribe, argumentando que um registro regional não consegue capturar totalmente a complexidade dos oceanos do mundo e defendendo mais evidências corroborativas antes de revisar os parâmetros do IPCC.

Mesmo que a linha do tempo baseada nas esponjas se mostre exagerada, medições independentes indicam que estamos nos aproximando rapidamente do limite de 1,5 °C, com anos e meses recentes quebrando recordes de temperatura repetidamente. Tenhamos ou não já cruzado essa linha, o artigo conclui que a direção é inequívoca e que cortes agressivos e imediatos nas emissões continuam sendo essenciais para preservar um clima habitável para as futuras gerações.